segunda-feira, 6 de julho de 2026

TABUS CONTINUAM E A HEXA VEIO

Brasil não vence seleções europeias na fase eliminatória do mundial de seleções e completa a sexta eliminação seguida

No sentido religioso, a palavra tabu refere-se a uma proibição de determinada ação, aproximação ou contato com algo ou alguém que é considerado sagrado. Já no futebol refere-se a um jejum prolongado, como uma sequência de partidas sem vencer um determinado adversário, a falta de vitórias em um estádio específico, ou um longo período sem conquistar um título. Nesse contexto, dois tabus permanecem intactos: o Brasil nunca venceu a seleção da Noruega em campeonatos ou amistosos, nem vence seleções europeias em fase eliminatória da Copa do Mundo desde 2006.

Contra a seleção nórdica, a seleção canarinha completou cinco partidas sem vitórias no histórico esportivo: dois empates e três derrotas. Em três jogos amistosos ao longo da história, o Brasil empatou duas vezes pelo placar de 1 x 1 (1988 e 2006) e sofreu uma derrota por 4 x 2 (1997). Enquanto em campeonatos mundiais, o Brasil foi derrotado pelo placar de 2 x 1 em duas edições da copa: fase classificatória (1998) e na fase eliminatória de oitavas de final (2026).

Além desse, outro tabu esportivo permanece há 20 anos. Desde 2006, a seleção brasileira de futebol não vence seleções europeias na fase eliminatória (mata-mata) do mundial de seleções. Nesse período, a seleção canarinha foi eliminada, respectivamente, pela França (2006), Holanda (2010), Alemanha (2014), Bélgica (2018), Croácia (2022) e Noruega (2026). Essa última derrota para a Noruega completou seis vezes, portanto, a hexa eliminação seguida.

Em 2006, a seleção brasileira era favorita ao título do campeonato mundial, por ter uma equipe repleta de estrelas (Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, Cafú, Roberto Carlos etc) que brilharam, mas foi eliminada pela equipe europeia da França (1x0) nas quartas de finais, ao sofrer um gol de Thierry Henry, após cruzamento de Zidane que já havia “chapelado” vários brasileiros durante a partida. Já em 2010, mais uma vez o Brasil foi eliminado por uma seleção europeia, a Holanda, pelo placar (2x1) de virada, após sair na frente com gol de Robinho; em um jogo que quem brilhou foram as estrelas laranjas de Robben e Sneijder.

No campeonato mundial de 2014, a seleção brasileira conseguiu chegar à semifinal, mas foi goleada vergonhosamente pela Alemanha (7x1) em pleno Mineirão. Dias depois, na disputa pelo terceiro lugar, a seleção canarinha perdeu para Holanda (3x0), outra seleção europeia. Em 2018, o campeonato mundial de futebol aconteceu na Rússia e a seleção brasileira foi eliminada nas quartas de final... outra vez por uma seleção europeia, dessa vez a Bélgica que venceu o Brasil pelo placar de 2x1.

Em 2022, o maior campeonato de futebol aconteceu no Catar. Mais uma vez, o Brasil foi eliminado por uma seleção europeia: a Croácia que venceu a seleção canarinha nas penalidades (4x2) após um empate (1x1) durante o tempo normal, seguido pela prorrogação. Atualmente, a copa do mundo está acontecendo em três países: Canadá, México e EUA. E dessa vez, nesse domingo (05/07), o Brasil já foi eliminado da competição pela seleção nórdica da Noruega pelo placar de 2 x 1. Portanto, a história nos mundiais de futebol se repete, a seleção brasileira não consegue vencer seleções europeias na fase eliminatória (mata-mata) do torneio entre as nações desde 2006. Além disso, nunca conseguiu vencer a seleção de futebol da Noruega. Logo, esses tabus continuam... e a hexa eliminação seguida ocorreu.


José Roberto Morais - Cronista

 Sítio Tanquinho, 06/07/2026

 

quinta-feira, 2 de julho de 2026

FRANZ KAFKA: GÊNIO DA METAMORFOSE

 LITERATURA CLÁSSICA


Franz Kafka que nasceu

Na época de um império

Era filho de um judeu

Um comerciante sério.

E cresceu sob a influência

Desde sua adolescência

De divergentes posturas;

Cercando todo seu dia

Tcheca, alemã e judia

As diferentes culturas.

 

Sua infância promissora

Pela presença marcada

Figura dominadora

No início da jornada.

Objetivo principal

O sucesso material

Pois assim seu pai pregava;

Um destaque relevante

Pois era mais importante

Conforme lhe orientava.

 

E para estudar direito

Foi à Universidade

Onde conseguiu respeito

E também a amizade.

De Max Bord, posterior

Biógrafo do escritor

Gênio da “metamorfose”;

Nos círculos literários

Seguiu seus itinerários

Para escrita e simbiose.

 

Ideias inconformistas

Chamavam sua atenção

Manifestos modernistas

Fez em sua produção.

O medo e a ansiedade

Sua personalidade

Marcaram na sua escrita;

Sua vida emocional

Conturbada e anormal

Em cada obra prescrita.

 

O medo se faz presente

Na vida dos personagens

Que inexplicavelmente

Constroem suas imagens.

Transformados em insetos

Vendo seus sonhos desertos

Envolvidos em “processo”;

Cumprindo sua “sentença”

Do mundo, a indiferença

Impedindo seu progresso.

 

Reflexo de sua vida

Ansiosa e solitária

Foi seu ponto de partida

Em cada obra literária.

Seguindo as diretrizes

Dos amores infelizes

Numa atmosfera pesada;

Beirando sempre a loucura

Sua rica literatura

No mundo foi divulgada.


MORAIS, José Roberto. Franz Kafka: gênio da metamorfose. In Revista Sarau. Vol 6. Nº 21. julho/agosto de 2026. (p.28) ISSN 2965-6192

JORGE AMADO: DESTAQUE DA FICÇÃO REGIONALISTA

 LITERATURA BRASILEIRA


Jorge Amado, o escritor

Nasceu em uma fazenda

Ficcionista de valor

Cada romance de venda.

Tornou-se representante

Um destaque relevante

Da ficção regionalista;

Exposição de cenários

Relatos imaginários

Da geração modernista.

 

Filho de João Amado

E de Eulália Leal

Cresceu no solo sagrado

Da sua terra natal.

Município de Itabuna

Do cacau tinha fortuna

Nas terras da região;

Veio uma grande enchente

Destruiu rapidamente

Toda sua plantação.

 

Para a cidade de Ilhéus

Mudou-se com sua gente

Viveu embaixo dos céus

A infância alegremente.

De lá para Salvador

Seguindo nosso escritor

Quando era adolescente;

Colégio Antônio Vieira

Com produção pioneira

Foi destaque emergente.

 

Suas ótimas produções

Elogiadas por Cabral

Que via nas redações

Um escritor genial.

Após fugir do internato

Foi procurando contato

Pra Itaporanga seguir;

Seu avô ali morava

Pois não mais desejava

Nessa escola prosseguir.

 

Começou as produções

Publicou “poema ou prosa”

Fazendo em suas versões

A sátira primorosa.

Publicou numa revista

Expôs seu ponto de vista

No jornal “O Imparcial”;

Ligou-se a Academia

Dos Rebeldes na Bahia

Destaque nacional.

 

“O país do carnaval”

Realismo socialista

“Cacau” é regional

Uma história modernista.

E “nas terras do sem fim”

“Os capitães” agem sim

Com “Tieta do agreste”;

“Dona Flor e dois maridos”

“Gabriela”, dos conhecidos

É romance do Nordeste.


MORAIS, José Roberto. Jorge Amado: destaque da ficção regionalista. In Revista Sarau. Vol 6. Nº 21. julho/agosto de 2026. (p.28) ISSN 2965-6192


segunda-feira, 29 de junho de 2026

CAMPOS SALES: CIDADE PORTAL DO CARIRI

 127 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA

(1899-2026)


Campos Sales, a cidade

É Portal do Cariri

A trilha dos viajantes

Que vinham do Piauí

Seguindo sua jornada

Passando nesta estrada

Faziam parada aqui.

 

Já foi Várzea da Vaca

A fazenda destacada

Para criação de gado

Uma terra consagrada

Na região do Cariri

Os italianos aqui

De Nova Roma chamada.

 

No seio jaz a Heroína

Grande Bárbara de Alencar

Lutou na revolução

Para o povo libertar

Foi mulher de pulso forte

E vencida pela morte

Aqui veio repousar.

 

Abrigo do coronel

O Barão de Aquiraz

Gonçalo Batista Vieira

Ele foi homem sagaz

A fazenda construiu

Seu território expandiu

De maneira perspicaz.

 

Já o Coronel Baleco

Na fazenda Cabeceira

Com a dupla identidade

Seguindo sua carreira

Assinava com seu nome

Outras vezes, sobrenome

Agindo dessa maneira.

 

Fez política autoritária

Distante da capital

Agia Raimundo Bento

Em território local

Ou Souza Baleco agia

O “chefão” não distinguia

Parecia ser normal.

 

Campos Sales é destaque

Na cultura regional

E no mês de junho faz

Um enorme festival

As noites são divertidas

Quadrilhas reconhecidas

Num encontro cultural.

 

Um destaque cultural

Também na religião

Com eventos conhecidos

Por toda população

Há procissões com andor

Uma noite de louvor

Com hinos e pregação.

 

Destaque na educação

Maria Dulce de Alencar

Tens o reconhecimento

Educadora exemplar

No seio da instituição

Zelou pela educação

Na história desse lugar.

 

A maioria do seu povo

Produz o seu alimento

Na agricultura e comércio

Faz um grande movimento

E inúmeros servidores

Honestos trabalhadores

Garantindo o seu sustento.

 

Há poetas repentistas

Escritoras, literatos

Nessa terra acolhedora

Diversos são seus retratos

Sua História é extensa

Em versos que se condensa

Trouxe apenas alguns fatos.

 

MORAIS, José Roberto. Campos Sales: cidade portal do Cariri. In Clube da Poesia. Ano 2. Nº 12. Julho de 2026. (p. 3)


quarta-feira, 3 de junho de 2026

LUIZ GONZAGA: RESGATANDO A TRADIÇÃO


Luiz Gonzaga Nascimento

Lá no Exu veio ao mundo

Sendo filho de Santana

Era primo de Raimundo

Seu pai era sanfoneiro

Januário era o primeiro

Gonzagão era o segundo.

 

Após aprender tocar

Mudou-se lá para o Rio

Na capital federal

Enfrentando o desafio

Na busca pelo sucesso

Na cidade do progresso

Sentia o peito vazio.

 

Quando o sucesso chegou

Tornou-se um grande artista

Famoso em todo Brasil

Demonstrou sua conquista

Falando sobre o sertão

De cultura e tradição

Em cada canção da lista.

 

E cantou várias canções

Na temática do são João

"Pagode russo", "asa branca"

Também "luar do sertão"

"Na estrada de Canindé"

"Xote das meninas" é

Destaque do Gonzagão.

 

Numa "sala de reboco"

Fez muita gente dançar

O "cheiro da Carolina"

Uma canção popular

Já "a morte do vaqueiro"

É destaque pioneiro

Homenagem exemplar.

 

"São João do carneirinho"

"São João nas capitá"

Há "são João sem frutica"

E "são João no arraiá"

"A noite é de são João"

O "ABC do sertão"

E "canto do sabiá".

 

Doutor Humberto Teixeira

Com Gonzaga em parceria

Escreveu, compôs canções

Com muita sabedoria

Resgatando a tradição

Enalteceu o sertão

Em letras com poesia.



MORAIS, José Roberto. Luiz Gonzaga: resgatando a tradição. In Clube da Poesia. Ano 2. Nº 11. Junho de 2026. (p. 11)

sexta-feira, 29 de maio de 2026

CAMPOS SALES CIENTÍFICO

CAMPOS SALES CIENTÍFICO: 28 e 29 de maio de 2026 


Campos Sales científico

Hoje teve seu princípio

Um evento magnífico

Na rede do município.

Apresentações brilhantes

Envolvendo os estudantes

Em cada uma produção;

Desenho, dança, poema

Abordando cada tema

Relevante para ação.

 

E neste segundo dia

Novas apresentações

Com o tema cidadania

Envolvendo gerações.

Iniciantes em pesquisa

Que vestem bem a camisa

Construindo suas ideias;

Parabéns protagonistas!

Vocês são nossos artistas

Nós somos suas plateias.


José Roberto Morais

Professor de Linguagens da rede municipal de ensino de Campos Sales (CE) 

Publicado também em: https://www.ubuntunoticiasce.com.br/2026/05/campos-sales-cientifico-2026-em-versos.html



quinta-feira, 21 de maio de 2026

COISAS QUE APRENDI NOS DISCOS

 

Araripe CE, 20 de fevereiro de 2026

Saudações literomusicais, Belchior

O amigo Nonato Nogueira tem falado muito sobre você. Ele é um grande admirador da sua obra e conhecer da sua história. Ele sempre tem uma carta na manga para apresentar projetos sobre você. Desta vez, incentivou-me a escrever esta carta.

Belchior, vou falar um pouco sobre o dia em que o conheci em 2003.

Eu estava cursando a 6ª série (atual 7º ano) do Ensino Fundamental, na Escola Francisco de Assis Leite em Salitre (CE), a cidade capital da mandioca. Era aula de língua portuguesa quando a professora, minha favorita, nos apresentou você. Ela disse: “hoje nós vamos conhecer a obra de um dos melhores cantores da música brasileira. Seu nome é Belchior. Alguém conhece?”

Naquele momento toda a turma ficou em silêncio, pois estávamos acostumados a escutar músicas das tradicionais bandas de forró, brega, sertanejo; mas, a MPB “parecia” ser novidade. Escutamos a canção “Como os nossos pais”: debatemos a temática, fizemos a leitura e compreensão textual da letra, refletimos sobre a mensagem transmitida e comparamos com as músicas que costumávamos escutar no cotidiano. Descobrimos que várias canções que tocava na rádio da cidade era de sua lavra; porém, nós não o conhecíamos. Canções como “Apenas um rapaz latino americano”, “Alucinação”, “Fotografia 3x4”, “A palo seco”, “Sujeito de sorte” e outras tocadas frequentemente nas manhãs de sábado.

Durante aquela aula, a professora nos contou um pouco da sua história. Ficamos sabendo que se tratava de um músico, cantor, compositor, poeta e artista plástico cearense, da cidade de Sobral. Conhecido no cenário nacional, que costumava apresentar reflexões sociais e filosóficas nas suas canções, interpretadas por vários artistas da MPB.

Aquela aula despertou minha curiosidade sobre você e eu comecei a pesquisar e escutar suas canções. Descobri que assim como você, eu também sou “apenas um rapaz latino americano”, que na minha infância tinha “medo de avião” e neste mundo rotineiro continuo vivendo “como os nossos pais”. Às vezes, sinto “alucinação” e viajo por outros mundos com minha “velha roupa colorida”. Há quinze anos trabalho na educação, e algumas vezes reflito “a palo seco” sobre por onde andei gritando em português e inglês. Há dias que me sinto um “sujeito de sorte”, porque quase morri em anos passados, mas compreendo que vivemos cada hora “antes do fim”. Já presenciei situações de preconceito descritas em “Fotografia 3x4”, não proferido pelos guardas, mas por civis que permeiam nossa sociedade hipócrita e continuam vivendo “como o diabo gosta”.

Sei que não devo cantar vitória muito cedo, nem “levar flores” para cova do inimigo. Mas continuo falando das coisas que aprendi nos discos e tudo que aconteceu comigo. Compreendo que teve que partir, mesmo sabendo que iríamos sentir saudades, e que a cultura musical sentiria imensa falta de novas composições do rapaz latino americano. Além disso, aos 50 anos de lançamento, com mais de 500 mil cópias vendidas, o disco “Alucinação” continua sucesso; pois, a solidão, o amor, os direitos humanos, a política e as condições humanas abordados em suas reflexões musicais são atemporais.

Parabéns pelos 50 anos da sua obra-prima e 80 anos de imortalidade na MPB!

Atenciosamente,

José Roberto Morais

MORAIS, José Roberto. Coisas que aprendi nos discos. In Cartas para Belchior: experiência com coisas reais / Nonato Nogueira (organizador); Josely Teixeira Carlos (prefácio). 1ª ed. Fortaleza, CE: Ed. dos Autores, 2026. (p. 33-34)