segunda-feira, 2 de novembro de 2026

NAKIMERA E O NAVIO NEGREIRO

LITERATURA BRASILEIRA 


Nakimera que nasceu

Em Uganda, ela cresceu

Princesa de um reinado;

Viveu infância feliz

Naquele amado país

Por seu povo habitado.

 

Embora o catolicismo

Também o anglicanismo

Principais religiões;

Nakimera era hinduísta

Nascera protagonista

Em profundas reflexões.

 

E já namorando Amir

Um matrimônio por vir

‘Tava’ tudo planejado;

Nessa terra altaneira

Do trono seria herdeira

Em um reino abençoado.

 

Mas, o destino cruel

Executou seu papel

Mudou tudo de repente;

A invasão estrangeira

Foi a maldade primeira

Que sofreu a sua gente.

 

A família destronada

Perdendo sua morada

Pensou que vivesse um sonho;

Quando o dia amanheceu

Em um navio percebeu

Seu destino ser tristonho.

 

As mãos estavam atadas

As tranças foram cortadas

Sentia-se tão deprimida;

Procurava por Amir

Não sabia mais sorrir

Era triste sua vida.

 

Passou sono, sede e fome

Destruíram o seu nome

Mudaram a identidade;

De princesa para escrava

Uma placa divulgava

O preço por sua idade.

 

Passou dias navegando

Seu estômago embrulhando

No ambiente inseguro;

A escassez de comida

Água fétida era bebida

Não enxergava no escuro.

 

Enjoou mais outra vez

Via a passagem do mês

Mas do tempo sem noção;

No seu ventre havia vida

Uma criança querida,

Sofria seu coração.

 

Essa criança nasceu

Mas triste destino o seu

Foi tomada de seus braços;

Nakimera sofreu dor

Não havia protetor

Em seus dias de cansaços.

 

E sem notícias de Amir

Começou a desistir

Pois seu corpo fraquejou;

Como rege a natureza

A alma daquela princesa

Do corpo se separou.

 

Inspirado no poema

Relatei esse dilema

Vivido por Nakimera;

A princesa destronada

Foi escrava amordaçada

Perdeu sua primavera.

 

Essa história ambientada

Em uma época passada

Tem gênese na leitura;

Do livro “navio negreiro”

Do poeta condoreiro

Bardo da literatura.

 

No seu navio negreiro

O poeta condoreiro

Fez registros e relatos;

Interpretando seus versos

Reproduzi universos

Com semelhantes retratos.


MORAIS, José Roberto. Nakimera e o navio negreiro. In Revista Sarau. Vol 6. Nº 23. (p.18) ISSN 2965-6192

ORIDES FONTELA: LAPIDADORA DE VERSOS

LITERATURA BRASILEIRA 


Nasceu Orides Fontela

Em São João da Boa Vista

Destacando a obra dela

Foi poeta modernista.

A filha de um marceneiro

No sudeste brasileiro

Exerceu o magistério;

Pelos percursos da vida

Sua obra reconhecida

Observada com critério.

 

Transformou a sua escrita

Em forma de existência

Buscando sua guarita

Na infância, adolescência.

Perseguia cada palavra

Para compor sua lavra

Nos versos, lapidação;

Foi uma grande poeta

E sua obra completa

Incluindo a “transposição”.

 

As profundas reflexões

Com originalidade

Trouxe para gerações

A sua criticidade.

Formada em filosofia

No seio da Academia

Tens sua obra estudada;

Cândido e Décio Prado

Suplemento publicado

A escrita consolidada.

 

Esse círculo acadêmico

Divulga seu pensamento

Saindo desse sistêmico

Veio o reconhecimento.

Sua palavra um cristal

Lapidado, especial

Unindo a inspiração;

Foi discípula de Chauí

Ganhou Prêmio Jabuti

Por sua publicação.

 

“Rosácea”, “Alba” e “Helianto”

Rendeu-lhe premiação

São exemplos do seu canto

Para arte, divulgação.

E na Festa Literária

Paraty foi luminária

Orides homenageada;

Escolha de Rita Palmeira

Orides é altaneira

Sua obra valorizada.


MORAIS, José Roberto. Orides Fontela: lapidadora de versos. In Revista Sarau. Vol 6. Nº 23. (p.17) ISSN 2965-6192

ETERNAS SAUDADES

 02 DE NOVEMBRO: DIA DE FINADOS


No dia dois de novembro

Lembramos tempos passados

Ao recordar os parentes

Os sonhos compartilhados

As fotografias manchadas

Dos momentos registrados.

 

Vejo vozinha na sala

Cantando verso e cordel

A rainha da família

Também era menestrel

Partiu deixando lembranças

E saudades a granel.

 

Entro no quarto da sala

E vejo um velho gibão

As perneiras e cabeçadas

Espalhadas pelo chão

Encontro vovô contando

Histórias de barbatão.

 

Despertando sonolento

Foi um sonho, percebi

As recordações tão vivas

Dos tempos que já vivi

Minha rede balançando

Confesso, logo dormi.

 

Eu vejo meu vô materno

Chegando duma caçada

Uma onça no seu ombro

Pela corda amarrada

Um alforje pendurado

Junto com sua espingarda.

 

E na cozinha pequena

Escuto um cochichado

Minha vó está rezando

Num garoto ali deitado

Sua fé reconhecida

Contra quebranto e olhado.

 

Passando pela salinha

Eu vejo uma catequista

Estudando, rabiscando

Escrevendo numa lista

Nessa cadeira de rodas

Cada pessoa conquista.

 

É minha irmã que partiu

Ainda na mocidade

Enquanto viveu aqui

Fez laços de amizade

Nessa data recordamos

Sentindo eterna saudade.

 

Vejo minhas primas e tias

Que já fizeram partida

Familiares e amigos

Que deixaram esta vida

Cada lembrança passada

Não pode ser esquecida.

 

Os momentos registrados

Ficam pra posterioridade

Cada vez que recordamos

Sentimos muita saudade

Dos amigos e parentes

Que foram pra eternidade.


MORAIS, José Roberto. Eternas saudades. In Clube da Poesia. Ano 2. N°16. Novembro de 2026.

sábado, 12 de setembro de 2026

LAMENTO DE UMA ÁRVORE

 21 DE SETEMBRO: DIA DA ÁRVORE


Eu nasci de uma semente

Cresci com sombra frondosa

Vivia sempre contente

Minha fruta era gostosa.

Porém, o tempo passou

Alguém veio e desmatou

Toda árvore aqui perto;

Eu fiquei sem proteção

Perdi minha nutrição

Neste solo de deserto.

 

Muitas crianças brincavam

Balançando nos meus galhos

De manhã alimentavam

As raízes com orvalhos.

Hoje vivo descontente

Sem amigo ou parente

Pois ninguém cuida de mim;

Nem sequer há mais sereno

Houve fogo no terreno

Chego perto do meu fim.

 

Queimaram minhas irmãs

Para fazer um roçado

Agora pelas manhãs

Sinto um calor arretado.

Antes ouvia seresta

As aves faziam festa

Pois eu tinha alimento;

Hoje sinto solidão

Sem inverno, só verão

Aumenta meu sofrimento.

 

Antes sombreava o chão

Convidava os animais

Que faziam diversão,

Algazarra e festivais.

Fui um rancho hospedeiro

Ouvi prosa de vaqueiro

Em busca de barbatão;

Na sombra que descansavam

Sentados logo aboiavam

E faziam a refeição.

 

Fui palco dos periquitos

Gola, sanhaçu e rolinha

Fui descanso de cabritos

Até chegar à tardinha.

Havia um rio correndo

Pelas pedras ia descendo

Com as águas cristalinas;

Depois da devastação

Eu vejo rachando o chão

Dessas terras nordestinas.

 

Procurando não encontro

Água para me manter

Estou só marcando o ponto

E não posso florescer.

Escuto a motosserra

Derrubando pela terra

As últimas sobreviventes;

Estão contados meus dias

Vivo só de nostalgias

Sinto chamas permanentes.

 

Já arranharam meu tronco

E desistiram em seguida

Mas ainda escuto o ronco

Da maldade desmedida.

Vão retirando a madeira

De cada irmã hospedeira

Sinto cada sofrimento;

Distante do Soberano

Aquele que diz “ser humano”

Nem escuta meu lamento.


José Roberto Morais

Sítio Tanquinho, Araripe CE

sábado, 1 de agosto de 2026

ARARIPE GLEBA QUERIDA

 151 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA (1875-2026)



Araripe, gleba querida

Berço de Miguel Arraes

Onde a família Morais

Fez logo sua guarida.

Nessa terra prometida

Nasceu Antônio Girão

E Raimundo Elesbão

Surgiu neste universo

Trazendo mundo de verso

De histórias e tradição.

 

Já foi fazenda de gado

No início da jornada

De Brejo Seco chamada

Território destacado.

Pelos Kariris habitado

Quando Alencar chegou

Da terra lusa aportou

Seguindo na caminhada

E para fazer morada

Mãos e pés aqui fincou.

 

Ele foi homem sagaz

A fazenda construiu

Seu território expandiu

De maneira perspicaz.

Um ambiente de paz

Onde fez a residência

Pra criar a descendência

Em território local

Distante da capital

Garantiu sobrevivência.

 

De Brejo Seco mudou

Seu nome modificado

Araripe é nomeado

Na história registrou.

Seu centenário passou

Já vieram mais cinquenta

Sua população atenta

Produzindo o alimento

Garantindo seu sustento

O comércio movimenta.

 

Um destaque cultural

Também na religião

Garantindo a tradição

Em junho há festival

Do padroeiro local

Um animado leilão

Missa, reza e oração

Brincadeiras divertidas

Há quermesse e comidas

Em noites de diversão.

 

Há também a pregação

Numa noite de louvor

Dedicada ao Senhor

O Evangelho em ação

Buscando a conversão

Da nossa comunidade

Envolve nossa cidade

As igrejas reunidas

Para resgatar as vidas

Deixadas na orfandade.

 

A cultura dos vaqueiros

Aqui é reconhecida

Numa data escolhida

Reunindo os pioneiros.

Há também os sanfoneiros

Na noite de São João

Xote, forró e baião

No evento é celebrado

Deixando o povo animado

Resgatando a tradição.

 

Há poetas, repentistas

Escritoras, literatos

Em diferentes retratos

Músicos e outros artistas.

E recebe até turistas

Lá na gruta do Brejinho

Água vem devagarinho

Saindo numa nascente

Nessa terra, nossa gente

Sempre acolhe com carinho.

 

MORAIS, José Roberto.

terça-feira, 21 de julho de 2026

A MAIOR CAMPEÃ DO MUNDO

 Espanha conquista o bicampeonato mundial de futebol e se torna a maior campeã do século XXI

 

No último domingo (19), a Espanha venceu a Argentina na partida final do Mundial de Seleções e tornou-se a maior campeã do mundo no século XXI com dois títulos, respectivamente, em 2010 e 2026. Além de ser tricampeã na Eurocopa em 2008, 2012 e 2024.

Em 2010, o campeonato mundial de seleções aconteceu na África do Sul; e la fúria roja consagrou-se campeã ao vencer a seleção dos Países Baixos pelo placar de 1 x 0 com gol marcado pelo volante Andrés Iniesta aos 116 minutos do tempo extra (prorrogação). Similar também foi a vitória ao conquistar o bicampeonato em 2026, contra a Argentina pelo mesmo placar e gol marcado pelo atacante Ferran Torres aos 106 minutos da prorrogação.

Outro fato que a torna a maior campeã do mundo é o tricampeonato na Eurocopa, respectivamente, em 2008, 2012 e 2024. Em 2008, a Eurocopa aconteceu na Áustria e Suíça e a Fúria consagrou-se campeã ao vencer a Alemanha na finalíssima pelo placar de 1 x 0 com gol do atacante Fernando Torres aos 33 minutos do primeiro tempo. Já em 2012, a competição europeia aconteceu na Polônia e Ucrânia e la roja venceu a Itália na partida final pelo placar de 4 x 0 com gols marcados pelos atletas: David Silva aos 14 minutos; Jordi Alba, aos 41’; Fernando Torres, aos 84’; e Juan Mata, aos 88 minutos. Na última edição do torneio das seleções europeias ocorrido na Alemanha em 2024, a fúria conseguiu o tricampeonato ao vencer a Inglaterra na finalíssima pelo placar 2 x 1, com gols de Nico Williams (47’) e Mikel Oyarzabal (86’) para os espanhóis e Cole Palmer (73’) descontando para os ingleses.

Por outro lado, as seleções que também foram campeãs mundiais neste século, conquistaram apenas um título cada. O primeiro campeão foi a seleção brasileira que venceu a Alemanha na finalíssima da edição de 2002 ocorrida no Japão e Coreia. Em 2006, na Alemanha, a Itália consagrou-se a campeã ao vencer a França na partida final nas penalidades, após empate de 1 x 1 no tempo normal e prorrogação. Já em 2014, a campeã foi a Alemanha que venceu a Argentina na última partida do torneio ocorrido no Brasil, pelo placar de 1 x 0, gol marcado pelo meia campista, Mario Götze, no segundo tempo da prorrogação. Na edição de 2018, na Rússia, a seleção campeã foi a França ao vencer a Croácia na partida final pelo placar de 4 x 2 enquanto em 2022, no Catar, a campeã foi a seleção albiceleste da Argentina ao derrotar a França nas penalidades após empate por 3 x 3 no tempo normal, seguido pela prorrogação.

Portanto, sem dúvida, diante das competições vitoriosas conquistando cinco títulos, sendo dois mundiais (2010; 2026) e três europeus (2008; 2012; 2024), a seleção de la fúria roja, Espanha, é a maior campeã mundial do século XXI.

 

José Roberto Morais

Cronista

Araripe CE, 21 de julho de 2026

quarta-feira, 15 de julho de 2026

SELEÇÃO ALBICELESTE

FINALISTA DO MUNDIAL DE SELEÇÕES 2026 


Léo Messi e companhia

Passaram para final

Jogaram com valentia

De campeão mundial.

Vão trilhando todo mapa

Jogando em cada etapa

Buscando sempre a vitória;

O “tetra” já vem chegando

Espanha já aguardando

Também quer fazer história.

 

Enzo e Lautaro marcaram

Os gols desta albiceleste

E na seleção jogaram

Pra vencer em cada teste.

Lisandro, Romero, Molina

Na seleção argentina

Na esquerda com Nicolás;

Paredes, Alexis, Giuliano

Julian também soberano

No time não fica atrás.

 

Destacando seu goleiro

Por Dibu apelidado

Sem dúvida é o primeiro

Defensor agigantado.

Há também o treinador

Que foi grande jogador

Expõe sua liderança;

Mas dentro das quatro linhas

Messi joga sem “gracinhas”

E ao time traz confiança.

 

José Roberto Morais

Araripe CE, 15/07/2026