LITERATURA BRASILEIRA
Nakimera que nasceu
Em Uganda, ela cresceu
Princesa de um reinado;
Viveu infância feliz
Naquele amado país
Por seu povo habitado.
Embora o catolicismo
Também o anglicanismo
Principais religiões;
Nakimera era hinduísta
Nascera protagonista
Em profundas reflexões.
E já namorando Amir
Um matrimônio por vir
‘Tava’ tudo planejado;
Nessa terra altaneira
Do trono seria herdeira
Em um reino abençoado.
Mas, o destino cruel
Executou seu papel
Mudou tudo de repente;
A invasão estrangeira
Foi a maldade primeira
Que sofreu a sua gente.
A família destronada
Perdendo sua morada
Pensou que vivesse um sonho;
Quando o dia amanheceu
Em um navio percebeu
Seu destino ser tristonho.
As mãos estavam atadas
As tranças foram cortadas
Sentia-se tão deprimida;
Procurava por Amir
Não sabia mais sorrir
Era triste sua vida.
Passou sono, sede e fome
Destruíram o seu nome
Mudaram a identidade;
De princesa para escrava
Uma placa divulgava
O preço por sua idade.
Passou dias navegando
Seu estômago embrulhando
No ambiente inseguro;
A escassez de comida
Água fétida era bebida
Não enxergava no escuro.
Enjoou mais outra vez
Via a passagem do mês
Mas do tempo sem noção;
No seu ventre havia vida
Uma criança querida,
Sofria seu coração.
Essa criança nasceu
Mas triste destino o seu
Foi tomada de seus braços;
Nakimera sofreu dor
Não havia protetor
Em seus dias de cansaços.
E sem notícias de Amir
Começou a desistir
Pois seu corpo fraquejou;
Como rege a natureza
A alma daquela princesa
Do corpo se separou.
Inspirado no poema
Relatei esse dilema
Vivido por Nakimera;
A princesa destronada
Foi escrava amordaçada
Perdeu sua primavera.
Essa história ambientada
Em uma época passada
Tem gênese na leitura;
Do livro “navio negreiro”
Do poeta condoreiro
Bardo da literatura.
No seu navio negreiro
O poeta condoreiro
Fez registros e relatos;
Interpretando seus versos
Reproduzi universos
Com semelhantes retratos.
MORAIS, José Roberto. Nakimera e o navio negreiro. In Revista Sarau. Vol 6. Nº 23. (p.18) ISSN 2965-6192