segunda-feira, 4 de maio de 2026

BOÊMIO INCURÁVEL

LITERATURA UNIVERSAL 


Bandelaire foi poeta

Influente simbolista

Com sua obra completa

Recursos pré-modernista.

Lá em Paris foi nascido

Teve destino sofrido

Ficou órfão ‘inda’ criança;

A mãe casou novamente

O conflito permanente

Afastou sua esperança.

 

Ingressou no internato

E começou a estudar

Com o padrasto o contato

Conflito familiar.

Seu padrasto coronel

Desempenhou seu papel

Mas Charles se rebelou;

Melancólico e solitário

Seguiu seu itinerário

E de Lyon retornou.

 

Ao retornar pra Paris

Tornou-se indisciplinado

Seguiu como aprendiz

No Lyceé matriculado.

Já gostava da leitura

Começou literatura

Seus poemas publicando;

Foi expulso do colégio

Seu jeito nada egrégio

Já estava lhe moldando.

 

Conheceu alguns poetas

Ingressou na boemia

Manhãs e noites completas

De ventura e poesia.

Foi logo pressionado

Para embarcar obrigado

Com destino a Calcutá;

Seguindo sua viagem

Guardou consigo a imagem

De quando saiu de lá.

 

Ficou nas Ilhas Maurício

Com saudades de seu lar

Pra França, seu benefício

Logo pode retornar.

Desperdiçou sua herança

Perdeu sua esperança

Sendo boêmio incurável;

Buscou novas influências

Procurou experiências

E refúgio desejável.

 

Lançou “as flores do mal”

Sua obra foi apreendida

Atentou contra a moral

Como a lei era regida.

Pagando multa pesada

Após a obra publicada

Destaque da geração;

Ouviram logo seus gritos

Pelos poetas malditos

Origem dessa expressão.

 

Foi crítico e tradutor

Da rica literatura

De Edgar Poe, o escritor

Traduziu cada leitura.

Das obras são necessárias

“Histórias extraordinárias”

E “o princípio poético”;

Charles fez sua partida

Abandonou esta vida

Por seu destino frenético.

 


MORAIS, José Roberto. Charles Bandelaire: boêmio incurável. In Revista Sarau. Vol 6. Nº 19. maio/junho 2026. (p.

CECÍLIA MEIRELES: ÁS DA LITERATURA

 LITERATURA BRASILEIRA


Lá no Rio de Janeiro

Nasce a menina Cecília

Neste solo brasileiro

Criança perde a família.

Fica sem mãe e sem pai

Da lembrança nunca sai

Foi grande sua tristeza;

Não teve a bênção paterna

Na casa da avó materna

De origem portuguesa.

 

Dona Jacinta Garcia

Criou aquela pequena

Que encontrou na poesia

A guarita tão amena.

Fez logo o curso primário

Seguiu seu itinerário

Na Escola Estácio de Sá;

Recebeu premiação

Com louvor e distinção

Pois Bilac estava lá.

 

E recebeu do poeta

Linda medalha dourada

A premiação seleta

No começo da jornada.

Já formada professora

Foi jornalista e pintora

Uma amante da cultura;

Sua produção completa

Reconhecida poeta

Um ás na literatura.

 

Com “espectros” ingressou

Nesse mundo literário

Seu estilo conquistou

Público extraordinário.

Logo veio outra conquista

Colaborou em revista

Falando de educação;

O interesse por crianças

Trouxe novas esperanças

E também adaptação.

 

Viajou ao Portugal

Falou da literatura

Destaque educacional

No folclore e na cultura.

“Viagem” foi premiado

Mais um livro consagrado

Trouxe reconhecimento;

Para não causar quizumba

“Batuque, samba e macumba”

Obra de conhecimento.

 

Realizou conferências

Em países diferentes

Adquiriu experiências

Em diversos ambientes.

Fez também ilustrações

Em algumas produções

Quando esteve em Portugal;

Escreveu um “romanceiro”

Um relato brasileiro

Da época colonial.

 

Seus versos sempre completos

Com profundas reflexões

Em seus poemas diletos

Resgatando tradições.

Na geração modernista

Destacou-se como artista

Por sua obra completa;

Cantou o instante que existe

Hora alegre, hora triste

Já partiu nossa poeta.



MORAIS, José Roberto. Cecília Meireles: ás da literatura. In Revista Sarau. vol 6. Nº 19. maio/junho 2026. (p.

sábado, 2 de maio de 2026

OCUPAÇÕES

 1º DE MAIO: FERIADO DO TRABALHO


Mês de maio começando

Hora de comemorar

Dia do trabalhador

Para todos festejar

São diversas as funções

Que podem executar.

 

Nós vamos à sala de aula

Falar com o professor

Mestre do conhecimento

Também é educador

Orientando o discente

Demonstrando seu valor.

 

A médica no hospital

Atendendo ao doente

Chama logo a enfermeira

Pra cuidar do paciente

A dentista logo chega

Pra deixá-lo sorridente.

 

Vem a nutricionista

Cuidar da alimentação

A defensora da lei

Analisa a questão

A delegada chegando

Executa cada ação.

 

O fisioterapeuta

Ajudando a caminhar

Faz os exercícios físicos

Ensinando a respirar

Incentiva ao esporte

Orienta a caminhar.


O jornalista divulga

Cada acontecimento

O bombeiro chega junto

Pra fazer o salvamento

O policial escuta

E anota o depoimento.

 

O político discursa

Iludindo nossa gente

A farmacêutica orienta

Correto, seu paciente

A vendedora atende

Agindo mui gentilmente.

 

A atriz interpretando

Executa seu papel

O poeta chega logo

Declamando seu cordel

A amazona já montada

Adestrando seu corcel.

 

O músico toca o som

Nas cordas do violão

A cantora solta a voz

Na sua interpretação

As dançarinas demonstram

Equilíbrio em cada ação.

 

A camareira organiza

Toalha, lençol e cama

O vaqueiro apaixonado

Aboia, canta e declama

O ouvidor sempre atende

Muita gente que reclama.

 

São diversas profissões

Cada uma é relevante

Exigindo a empatia

Cada ação é importante

Eu listei alguns exemplos

Mas pode seguir avante...


MORAIS, José Roberto. Ocupações. In Clube da Poesia. Ano 2. Nº 10. maio de 2026.

sábado, 4 de abril de 2026

MONTEIRO LOBATO: BARDO DA LITERATURA

18 DE ABRIL: DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL


Nasceu Monteiro Lobato

Em dezoito de abril

Na cidade Taubaté

Interior do Brasil

Tornou-se escritor da

Literatura infantil.


Sendo filho de José Bento

E Olímpia Monteiro Lobato

Sua mãe lhe ensinou

O alfabeto e o recato

O gosto pela leitura

Despertou-lhe no arremato.


Da biblioteca do avô

Leu todos livros infantis

Temperamento inquieto

Nem sua comunhão quis

O escândalo pra família

No Império do país.


Já órfão na adolescência

O avô tomou cuidado

Pois seus pais faleceram

Tendo a bengala herdado

Resolveu mudar seu nome

Que antes foi registrado.


José Renato tornou-se

José Bento Monteiro Lobato

Ingressou na Faculdade

De Direito, é relato

Porém, sua preferência

Pelas Artes fosse fato.


Prestou concurso e passou:

cargo na promotoria

Na cidade de Areias

Exerceu com maestria

E casou-se com Pureza

Que se chamava Maria.


Envolveu-se em polêmica

Com uma publicação

Uma carta que Monteiro

Enviou à redação

Criticando o caboclo

Lá da sua região.


Escreveu a coletânea

De contos pra “Urupês”

Perfil do “Jeca Tatu”

Um destaque altivez

Do caipira e a miséria

No ambiente camponês.


Pra leituras infantis

“Narizinho Arrebitado”

“O Marquês de Rabicó”

O “Saci”, ser encantado

“Reinações de Narizinho”

É um livro consagrado.


Há aula de português

Usando boa didática

Do mestre rinoceronte

Pelo “País da Gramática”

Lúcia, Emília e Pedrinho

Estudam função sintática.


No “Sítio do Pica-pau

Amarelo” ele juntou

Os diversos personagens

Da cultura pesquisou

Com narrativas folclóricas

Nessa história misturou.


Monteiro Lobato é

Bardo da literatura

Um contador de histórias

Com gênese na cultura

Em cada obra publicada

Há riqueza pra leitura.


MORAIS, José Roberto. Monteiro Lobato: bardo da literatura. In Clube da Poesia. Ano 2. Nº 9. Abril de 2026. (p.12)

segunda-feira, 23 de março de 2026

EM TUDO HÁ POESIA

 21 DE MARÇO: DIA MUNDIAL DA POESIA


Olhos veem, ela sente

Na natureza aparece

Está lá no sol nascente

Assim que o dia amanhece

Na chuva que molha o chão

Nos animais do sertão

Na noite que se inicia

No canto do Sabiá

No amor ela sempre está

Em tudo há poesia.


Nas cachoeiras, cascatas

Nos riachos e ribeirão

Na copa das verdes matas

Nas asas do gavião

No canto do uirapuru

Na flor do mandacaru

Na pele fria da jia

Na pluma dos periquitos

No balido dos cabritos

Em tudo há poesia.


Na dor de perder alguém

No choro de uma saudade

No ronco do grande trem

Nos parques de uma cidade

Nas canções de Gonzagão

Lindo luar do sertão

Januário e profecia

No cheiro das Carolinas

E no xote das meninas

Em tudo há poesia.


Nas canções de Zé Ramalho

Nas letras da Legião

Numa manhã de orvalho

Tampando nossa visão

Entre serpentes e estrelas

Eternas ondas pra vê-las

Beira mar e cantoria

No vento no litoral

Será e flores do mal

Em tudo há poesia.


MORAIS, José Roberto. Em tudo há poesia. In Clube da Poesia. Ano 2. Nº 8. Março de 2026. (p.5)

sábado, 21 de março de 2026

ELEONORA: O AMOR ENTRE A LUCIDEZ E A INCERTEZA

 RESENHAS

        O conto “Eleonora” do escritor americano Edgar Allan Poe foi publicado em 1841. Esse conto é narrado em primeira pessoa por um narrador anônimo que relata dois períodos de sua vida: o primeiro refere-se aos acontecimentos relativos às lembranças que envolvem sua amada Eleonora, momentos de razão lúcida indiscutível; e o segundo envolve momentos sombrios e duvidosos do presente que está repleto de incertezas e recordações.

       O narrador-personagem inicia falando sobre sua origem, “uma raça notável pelo vigor da imaginação e pelo ardor da paixão”. Sua amada Eleonora era sua prima, filha única da única irmã de sua mãe, há muito falecida. Os amantes viveram a infância nos vales das Relvas Multicores. Durante quinze anos, eles viveram de mãos dadas pelo vale, antes que o amor os envolvesse. Ela tornara-se uma moça de beleza angelical, natural e inocente.

            Aquele ambiente natural sofre uma imensa mudança: brotaram flores estranhas e brilhantes; margaridas desapareceram; peixes de ouro e prata encheram o rio; uma nuvem imensa veio flutuando, pairou e descansou sobre o cume das montanhas. Nesse mesmo lugar, ao temer que a morte o separasse de sua amada, o narrador lançou-se aos pés dela e fez um voto, a ela e ao Céu de que jamais se casaria com outra filha da terra. Invocou o Supremo Senhor do universo como testemunha do seu voto. Esse voto confortou o coração de Eleonora que faleceu, mas antes revelou ao amante que daria frequentes indicações da sua presença através do vento, perfume dos turíbulos dos anjos...

         Após a morte da amada, o narrador continuou morando no vale das Relvas Multicores. Porém, outra mudança ocorreu nas coisas. “As flores, em formas de estrela, murcharam nos caules das árvores e não mais apareceram. Desbotaram-se os matizes do verde tapete; e, uma a uma, as rúbias abróteas feneceram. E em lugar delas ali brotaram, às desenas, os olhos escuros das violetas, que se retorciam inquietas e estavam sempre pesadas de orvalho”. Até a voz de Eleonora desapareceu, o silêncio primitivo voltou a reinar e a imensa nuvem abandonou o cume das montanhas...

       E as promessas de Eleonora? O narrador continuou no vale? O que houve? Eis algumas questões que o leitor encontrará as respostas lendo o final dessa maravilhosa história de amor entre a lucidez e a incerteza.    

 

MORAIS, José Roberto. Eleonora: o amor entre a lucidez e incerteza. In Revista Sarau - v.6 - nº 18 - março/abril de 2026.

MORAIS, José Roberto. Lucidez e incerteza. In Fantástico Mundo da Leitura. Pará de Minas, MG; VirtualBooks Editora, 2022. (p.23-24) Ebook formato PDF


quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

BERENICE: UM AMOR LOUCO

RESENHA        


          O conto “Berenice” faz parte da obra do escritor americano Edgar Allan Poe. Essa narrativa foi publicada em 1835 pela Southern Literary Messenger. Está no livro “Complete Tales and Poems” e disponível no formato pdf em Web-Books.Com. A principal característica dessa narrativa é o ambiente pitoresco envolvido pelo mistério e pelo terror, tornando-se uma das principais obras de Poe. 

       O texto é narrado pelo personagem protagonista Egeu. O melancolismo caracteriza a narrativa explicitamente a partir do princípio, pois o narrador afirma que “a desgraça é variada e o infortúnio da terra é multiforme” e que fora criado nas salas cinzentas e melancólicas do solar de seus avós. Nascera na biblioteca onde falecera sua mãe. Por isso, afeiçoara aos livros e devaneios desde a infância.

           O seu primeiro amor fora Berenice, sua prima com quem compartilhara o lar paterno. Ambos diferentes: Egeu, doente e melancólico; enquanto Berenice era ágil, graciosa e energética. Porém, a garota fora contagiada por uma doença fatal que soprou sobre seu belo corpo, arrojando sobre ele um espírito de metamorfose que perturbou sua personalidade. Uma espécie de epilepsia que terminava em catalepsia.

       As leituras realizadas por Egeu vieram influenciar o seu comportamento perturbado; adicionado à moléstia mortal de Berenice forneceu motivos para intensa e anormal meditação. Após um pedido de casamento em um momento fatal, aproximou-se o período de núpcias e em instantes que estiveram frente a frente na biblioteca em que a prima sorriu, transpareceu no sorriso a presença de dentes brancos que passaram a ser contemplados exclusivamente com frenético desejo pelo narrador.

           Esse desejo frenético pelos dentes da amada prima, tornou o narrador ainda mais meditativo levando-o a crer que apenas a posse dos dentes restituiria sua paz, por isso trancou-se em seu aposento solitário e percebeu a passagem dos dias observando as trevas e auroras. Após batidas na porta, fora avisado pela criada que sua noiva falecera, o que lhe deixou transtornado e foi ver o cadáver de Berenice que estava no caixão.

              Ao observar o cadáver da amada, Egeu só conseguia fixar-se nos dentes dela. Isso fez com que afastasse convulsivamente daquele quarto e voltasse à biblioteca, onde passou por momentos ambíguos entre sonho e realidade. Despertado por um criado que o avisara que o túmulo da amada havia sido violado e ela teria sido assassinada, pois ainda vivia. Ao olhar para suas próprias roupas sujas de sangue; uma pá encostada na parede e uma caixa com instrumentos de cirurgia dentária sobre a mesa, ele gritou, saltou e ficou trêmulo.

          Essa narrativa apresenta características da segunda geração romântica, pois a abordagem de temas macabros como loucura e morte; ambientes pitorescos são traços do mal do século que incluem escritores e poetas como Lord Byron (Inglaterra), Álvares de Azevedo (Brasil) e o próprio Edgar Poe (EUA).

          Além de Berenice, as outras narrativas de Poe são leituras fascinantes que levam o leitor a conhecer ambientes arrepiantes, criados pelos vocábulos do gênio da ficção de mistério e terror da literatura americana... e universal.


MORAIS, José Roberto. "Berenice: um amor louco". In Revista Sarau. Vol 6. Nº 18. jan,fev 2026. ISSN 2965-6192 (p.22)

MORAIS, José Roberto. "Um amor louco". In Fantástico Mundo da LeituraPará de Minas, MG: VirtualBooks Editora, Publicação 2022. (p.21-22) E-book formato PDF