quinta-feira, 2 de julho de 2026

FRANZ KAFKA: GÊNIO DA METAMORFOSE

 LITERATURA CLÁSSICA


Franz Kafka que nasceu

Na época de um império

Era filho de um judeu

Um comerciante sério.

E cresceu sob a influência

Desde sua adolescência

De divergentes posturas;

Cercando todo seu dia

Tcheca, alemã e judia

As diferentes culturas.

 

Sua infância promissora

Pela presença marcada

Figura dominadora

No início da jornada.

Objetivo principal

O sucesso material

Pois assim seu pai pregava;

Um destaque relevante

Pois era mais importante

Conforme lhe orientava.

 

E para estudar direito

Foi à Universidade

Onde consegui respeito

E também a amizade.

De Max Bord, posterior

Biógrafo do escritor

Gênio da “metamorfose”;

Nos círculos literários

Seguiu seus itinerários

Para escrita e simbiose.

 

Ideias inconformistas

Chamavam sua atenção

Manifestos modernistas

Fez em sua produção.

O medo e a ansiedade

Sua personalidade

Marcaram na sua escrita;

Sua vida emocional

Conturbada e anormal

Em cada obra prescrita.

 

O medo se faz presente

Na vida dos personagens

Que inexplicavelmente

Constroem suas imagens.

Transformados em insetos

Vendo seus sonhos desertos

Envolvidos em “processo”;

Cumprindo sua “sentença”

Do mundo, a indiferença

Impedindo seu progresso.

 

Reflexo de sua vida

Ansiosa e solitária

Foi seu ponto de partida

Em cada obra literária.

Seguindo as diretrizes

Dos amores infelizes

Numa atmosfera pesada;

Beirando sempre a loucura

Sua rica literatura

No mundo foi divulgada.


MORAIS, José Roberto. Franz Kafka: gênio da metamorfose. In Revista Sarau. Vol 6. Nº 21. julho/agosto de 2026. (p.28) ISSN 2965-6192

JORGE AMADO: DESTAQUE DA FICÇÃO REGIONALISTA

 LITERATURA BRASILEIRA


Jorge Amado, o escritor

Nasceu em uma fazenda

Ficcionista de valor

Cada romance de venda.

Tornou-se representante

Um destaque relevante

Da ficção regionalista;

Exposição de cenários

Relatos imaginários

Da geração modernista.

 

Filho de João Amado

E de Eulália Leal

Cresceu no solo sagrado

Da sua terra natal.

Município de Itabuna

Do cacau tinha fortuna

Nas terras da região;

Veio uma grande enchente

Destruiu rapidamente

Toda sua plantação.

 

Para a cidade de Ilhéus

Mudou-se com sua gente

Viveu embaixo dos céus

A infância alegremente.

De lá para Salvador

Seguindo nosso escritor

Quando era adolescente;

Colégio Antônio Vieira

Com produção pioneira

Foi destaque emergente.

 

Suas ótimas produções

Elogiadas por Cabral

Que via nas redações

Um escritor genial.

Após fugir do internato

Foi procurando contato

Pra Itaporanga seguir;

Seu avô ali morava

Pois não mais desejava

Nessa escola prosseguir.

 

Começou as produções

Publicou “poema ou prosa”

Fazendo em suas versões

A sátira primorosa.

Publicou numa revista

Expôs seu ponto de vista

No jornal “O Imparcial”;

Ligou-se a Academia

Dos Rebeldes na Bahia

Destaque nacional.

 

“O país do carnaval”

Realismo socialista

“Cacau” é regional

Uma história modernista.

E “nas terras do sem fim”

“Os capitães” agem sim

Com “Tieta do agreste”;

“Dona Flor e dois maridos”

“Gabriela”, dos conhecidos

É romance do Nordeste.


MORAIS, José Roberto. Jorge Amado: destaque da ficção regionalista. In Revista Sarau. Vol 6. Nº 21. julho/agosto de 2026. (p.28) ISSN 2965-6192


segunda-feira, 29 de junho de 2026

CAMPOS SALES: CIDADE PORTAL DO CARIRI

 127 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA

(1899-2026)


Campos Sales, a cidade

É Portal do Cariri

A trilha dos viajantes

Que vinham do Piauí

Seguindo sua jornada

Passando nesta estrada

Faziam parada aqui.

 

Já foi Várzea da Vaca

A fazenda destacada

Para criação de gado

Uma terra consagrada

Na região do Cariri

Os italianos aqui

De Nova Roma chamada.

 

No seio jaz a Heroína

Grande Bárbara de Alencar

Lutou na revolução

Para o povo libertar

Foi mulher de pulso forte

E vencida pela morte

Aqui veio repousar.

 

Abrigo do coronel

O Barão de Aquiraz

Gonçalo Batista Vieira

Ele foi homem sagaz

A fazenda construiu

Seu território expandiu

De maneira perspicaz.

 

Já o Coronel Baleco

Na fazenda Cabeceira

Com a dupla identidade

Seguindo sua carreira

Assinava com seu nome

Outras vezes, sobrenome

Agindo dessa maneira.

 

Fez política autoritária

Distante da capital

Agia Raimundo Bento

Em território local

Ou Souza Baleco agia

O “chefão” não distinguia

Parecia ser normal.

 

Campos Sales é destaque

Na cultura regional

E no mês de junho faz

Um enorme festival

As noites são divertidas

Quadrilhas reconhecidas

Num encontro cultural.

 

Um destaque cultural

Também na religião

Com eventos conhecidos

Por toda população

Há procissões com andor

Uma noite de louvor

Com hinos e pregação.

 

Destaque na educação

Maria Dulce de Alencar

Tens o reconhecimento

Educadora exemplar

No seio da instituição

Zelou pela educação

Na história desse lugar.

 

A maioria do seu povo

Produz o seu alimento

Na agricultura e comércio

Faz um grande movimento

E inúmeros servidores

Honestos trabalhadores

Garantindo o seu sustento.

 

Há poetas repentistas

Escritoras, literatos

Nessa terra acolhedora

Diversos são seus retratos

Sua História é extensa

Em versos que se condensa

Trouxe apenas alguns fatos.

 

MORAIS, José Roberto. Campos Sales: cidade portal do Cariri. In Clube da Poesia. Ano 2. Nº 12. Julho de 2026. (p. 3)


quarta-feira, 3 de junho de 2026

LUIZ GONZAGA: RESGATANDO A TRADIÇÃO


Luiz Gonzaga Nascimento

Lá no Exu veio ao mundo

Sendo filho de Santana

Era primo de Raimundo

Seu pai era sanfoneiro

Januário era o primeiro

Gonzagão era o segundo.

 

Após aprender tocar

Mudou-se lá para o Rio

Na capital federal

Enfrentando o desafio

Na busca pelo sucesso

Na cidade do progresso

Sentia o peito vazio.

 

Quando o sucesso chegou

Tornou-se um grande artista

Famoso em todo Brasil

Demonstrou sua conquista

Falando sobre o sertão

De cultura e tradição

Em cada canção da lista.

 

E cantou várias canções

Na temática do são João

"Pagode russo", "asa branca"

Também "luar do sertão"

"Na estrada de Canindé"

"Xote das meninas" é

Destaque do Gonzagão.

 

Numa "sala de reboco"

Fez muita gente dançar

O "cheiro da Carolina"

Uma canção popular

Já "a morte do vaqueiro"

É destaque pioneiro

Homenagem exemplar.

 

"São João do carneirinho"

"São João nas capitá"

Há "são João sem frutica"

E "são João no arraiá"

"A noite é de são João"

O "ABC do sertão"

E "canto do sabiá".

 

Doutor Humberto Teixeira

Com Gonzaga em parceria

Escreveu, compôs canções

Com muita sabedoria

Resgatando a tradição

Enalteceu o sertão

Em letras com poesia.



MORAIS, José Roberto. Luiz Gonzaga: resgatando a tradição. In Clube da Poesia. Ano 2. Nº 11. Junho de 2026. (p. 11)

sexta-feira, 29 de maio de 2026

CAMPOS SALES CIENTÍFICO

CAMPOS SALES CIENTÍFICO: 28 e 29 de maio de 2026 


Campos Sales científico

Hoje teve seu princípio

Um evento magnífico

Na rede do município.

Apresentações brilhantes

Envolvendo os estudantes

Em cada uma produção;

Desenho, dança, poema

Abordando cada tema

Relevante para ação.

 

E neste segundo dia

Novas apresentações

Com o tema cidadania

Envolvendo gerações.

Iniciantes em pesquisa

Que vestem bem a camisa

Construindo suas ideias;

Parabéns protagonistas!

Vocês são nossos artistas

Nós somos suas plateias.


José Roberto Morais

Professor de Linguagens da rede municipal de ensino de Campos Sales (CE) 

Publicado também em: https://www.ubuntunoticiasce.com.br/2026/05/campos-sales-cientifico-2026-em-versos.html



quinta-feira, 21 de maio de 2026

COISAS QUE APRENDI NOS DISCOS

 

Araripe CE, 20 de fevereiro de 2026

Saudações literomusicais, Belchior

O amigo Nonato Nogueira tem falado muito sobre você. Ele é um grande admirador da sua obra e conhecer da sua história. Ele sempre tem uma carta na manga para apresentar projetos sobre você. Desta vez, incentivou-me a escrever esta carta.

Belchior, vou falar um pouco sobre o dia em que o conheci em 2003.

Eu estava cursando a 6ª série (atual 7º ano) do Ensino Fundamental, na Escola Francisco de Assis Leite em Salitre (CE), a cidade capital da mandioca. Era aula de língua portuguesa quando a professora, minha favorita, nos apresentou você. Ela disse: “hoje nós vamos conhecer a obra de um dos melhores cantores da música brasileira. Seu nome é Belchior. Alguém conhece?”

Naquele momento toda a turma ficou em silêncio, pois estávamos acostumados a escutar músicas das tradicionais bandas de forró, brega, sertanejo; mas, a MPB “parecia” ser novidade. Escutamos a canção “Como os nossos pais”: debatemos a temática, fizemos a leitura e compreensão textual da letra, refletimos sobre a mensagem transmitida e comparamos com as músicas que costumávamos escutar no cotidiano. Descobrimos que várias canções que tocava na rádio da cidade era de sua lavra; porém, nós não o conhecíamos. Canções como “Apenas um rapaz latino americano”, “Alucinação”, “Fotografia 3x4”, “A palo seco”, “Sujeito de sorte” e outras tocadas frequentemente nas manhãs de sábado.

Durante aquela aula, a professora nos contou um pouco da sua história. Ficamos sabendo que se tratava de um músico, cantor, compositor, poeta e artista plástico cearense, da cidade de Sobral. Conhecido no cenário nacional, que costumava apresentar reflexões sociais e filosóficas nas suas canções, interpretadas por vários artistas da MPB.

Aquela aula despertou minha curiosidade sobre você e eu comecei a pesquisar e escutar suas canções. Descobri que assim como você, eu também sou “apenas um rapaz latino americano”, que na minha infância tinha “medo de avião” e neste mundo rotineiro continuo vivendo “como os nossos pais”. Às vezes, sinto “alucinação” e viajo por outros mundos com minha “velha roupa colorida”. Há quinze anos trabalho na educação, e algumas vezes reflito “a palo seco” sobre por onde andei gritando em português e inglês. Há dias que me sinto um “sujeito de sorte”, porque quase morri em anos passados, mas compreendo que vivemos cada hora “antes do fim”. Já presenciei situações de preconceito descritas em “Fotografia 3x4”, não proferido pelos guardas, mas por civis que permeiam nossa sociedade hipócrita e continuam vivendo “como o diabo gosta”.

Sei que não devo cantar vitória muito cedo, nem “levar flores” para cova do inimigo. Mas continuo falando das coisas que aprendi nos discos e tudo que aconteceu comigo. Compreendo que teve que partir, mesmo sabendo que iríamos sentir saudades, e que a cultura musical sentiria imensa falta de novas composições do rapaz latino americano. Além disso, aos 50 anos de lançamento, com mais de 500 mil cópias vendidas, o disco “Alucinação” continua sucesso; pois, a solidão, o amor, os direitos humanos, a política e as condições humanas abordados em suas reflexões musicais são atemporais.

Parabéns pelos 50 anos da sua obra-prima e 80 anos de imortalidade na MPB!

Atenciosamente,

José Roberto Morais

MORAIS, José Roberto. Coisas que aprendi nos discos. In Cartas para Belchior: experiência com coisas reais / Nonato Nogueira (organizador); Josely Teixeira Carlos (prefácio). 1ª ed. Fortaleza, CE: Ed. dos Autores, 2026. (p. 33-34)


segunda-feira, 4 de maio de 2026

BOÊMIO INCURÁVEL

LITERATURA UNIVERSAL 


Bandelaire foi poeta

Influente simbolista

Com sua obra completa

Recursos pré-modernista.

Lá em Paris foi nascido

Teve destino sofrido

Ficou órfão ‘inda’ criança;

A mãe casou novamente

O conflito permanente

Afastou sua esperança.

 

Ingressou no internato

E começou a estudar

Com o padrasto o contato

Conflito familiar.

Seu padrasto coronel

Desempenhou seu papel

Mas Charles se rebelou;

Melancólico e solitário

Seguiu seu itinerário

E de Lyon retornou.

 

Ao retornar pra Paris

Tornou-se indisciplinado

Seguiu como aprendiz

No Lyceé matriculado.

Já gostava da leitura

Começou literatura

Seus poemas publicando;

Foi expulso do colégio

Seu jeito nada egrégio

Já estava lhe moldando.

 

Conheceu alguns poetas

Ingressou na boemia

Manhãs e noites completas

De ventura e poesia.

Foi logo pressionado

Para embarcar obrigado

Com destino a Calcutá;

Seguindo sua viagem

Guardou consigo a imagem

De quando saiu de lá.

 

Ficou nas Ilhas Maurício

Com saudades de seu lar

Pra França, seu benefício

Logo pode retornar.

Desperdiçou sua herança

Perdeu sua esperança

Sendo boêmio incurável;

Buscou novas influências

Procurou experiências

E refúgio desejável.

 

Lançou “as flores do mal”

Sua obra foi apreendida

Atentou contra a moral

Como a lei era regida.

Pagando multa pesada

Após a obra publicada

Destaque da geração;

Ouviram logo seus gritos

Pelos poetas malditos

Origem dessa expressão.

 

Foi crítico e tradutor

Da rica literatura

De Edgar Poe, o escritor

Traduziu cada leitura.

Das obras são necessárias

“Histórias extraordinárias”

E “o princípio poético”;

Charles fez sua partida

Abandonou esta vida

Por seu destino frenético.

 


MORAIS, José Roberto. Charles Bandelaire: boêmio incurável. In Revista Sarau. Vol 6. Nº 19. maio/junho 2026. (p.29) ISSN 2965-6192