RESENHA
O conto “Berenice” faz parte da obra do escritor americano Edgar Allan Poe. Essa narrativa foi publicada em 1835 pela Southern Literary Messenger. Está no livro “Complete Tales and Poems” e disponível no formato pdf em Web-Books.Com. A principal característica dessa narrativa é o ambiente pitoresco envolvido pelo mistério e pelo terror, tornando-se uma das principais obras de Poe.
O texto é narrado pelo personagem protagonista Egeu. O melancolismo caracteriza a narrativa explicitamente a partir do princípio, pois o narrador afirma que “a desgraça é variada e o infortúnio da terra é multiforme” e que fora criado nas salas cinzentas e melancólicas do solar de seus avós. Nascera na biblioteca onde falecera sua mãe. Por isso, afeiçoara aos livros e devaneios desde a infância.
O seu primeiro amor fora Berenice, sua prima com quem compartilhara o lar paterno. Ambos diferentes: Egeu, doente e melancólico; enquanto Berenice era ágil, graciosa e energética. Porém, a garota fora contagiada por uma doença fatal que soprou sobre seu belo corpo, arrojando sobre ele um espírito de metamorfose que perturbou sua personalidade. Uma espécie de epilepsia que terminava em catalepsia.
As leituras realizadas por Egeu vieram influenciar o seu comportamento perturbado; adicionado à moléstia mortal de Berenice forneceu motivos para intensa e anormal meditação. Após um pedido de casamento em um momento fatal, aproximou-se o período de núpcias e em instantes que estiveram frente a frente na biblioteca em que a prima sorriu, transpareceu no sorriso a presença de dentes brancos que passaram a ser contemplados exclusivamente com frenético desejo pelo narrador.
Esse desejo frenético pelos dentes da amada prima, tornou o narrador ainda mais meditativo levando-o a crer que apenas a posse dos dentes restituiria sua paz, por isso trancou-se em seu aposento solitário e percebeu a passagem dos dias observando as trevas e auroras. Após batidas na porta, fora avisado pela criada que sua noiva falecera, o que lhe deixou transtornado e foi ver o cadáver de Berenice que estava no caixão.
Ao observar o cadáver da amada, Egeu só conseguia fixar-se nos dentes dela. Isso fez com que afastasse convulsivamente daquele quarto e voltasse à biblioteca, onde passou por momentos ambíguos entre sonho e realidade. Despertado por um criado que o avisara que o túmulo da amada havia sido violado e ela teria sido assassinada, pois ainda vivia. Ao olhar para suas próprias roupas sujas de sangue; uma pá encostada na parede e uma caixa com instrumentos de cirurgia dentária sobre a mesa, ele gritou, saltou e ficou trêmulo.
Essa narrativa apresenta características da segunda geração romântica, pois a abordagem de temas macabros como loucura e morte; ambientes pitorescos são traços do mal do século que incluem escritores e poetas como Lord Byron (Inglaterra), Álvares de Azevedo (Brasil) e o próprio Edgar Poe (EUA).
Além de Berenice, as outras narrativas de Poe são leituras fascinantes que levam o leitor a conhecer ambientes arrepiantes, criados pelos vocábulos do gênio da ficção de mistério e terror da literatura americana... e universal.
MORAIS, José Roberto. "Berenice: um amor louco". In Revista Sarau. Vol 6. Nº 18. jan,fev 2026. ISSN 2965-6192 (p.22)
MORAIS, José Roberto. "Berenice: um amor louco". In Fantástico Mundo da Leitura. Pará de Minas, MG: VirtualBooks Editora, Publicação 2022. E-book formato PDF