segunda-feira, 23 de março de 2026

EM TUDO HÁ POESIA

 21 DE MARÇO: DIA MUNDIAL DA POESIA


Olhos veem, ela sente

Na natureza aparece

Está lá no sol nascente

Assim que o dia amanhece

Na chuva que molha o chão

Nos animais do sertão

Na noite que se inicia

No canto do Sabiá

No amor ela sempre está

Em tudo há poesia.


Nas cachoeiras, cascatas

Nos riachos e ribeirão

Na copa das verdes matas

Nas asas do gavião

No canto do uirapuru

Na flor do mandacaru

Na pele fria da jia

Na pluma dos periquitos

No balido dos cabritos

Em tudo há poesia.


Na dor de perder alguém

No choro de uma saudade

No ronco do grande trem

Nos parques de uma cidade

Nas canções de Gonzagão

Lindo luar do sertão

Januário e profecia

No cheiro das Carolinas

E no xote das meninas

Em tudo há poesia.


Nas canções de Zé Ramalho

Nas letras da Legião

Numa manhã de orvalho

Tampando nossa visão

Entre serpentes e estrelas

Eternas ondas pra vê-las

Beira mar e cantoria

No vento no litoral

Será e flores do mal

Em tudo há poesia.


MORAIS, José Roberto. Em tudo há poesia. In Clube da Poesia. Ano 2. Nº 8. Março de 2026. (p.5)

sábado, 21 de março de 2026

ELEONORA: O AMOR ENTRE A LUCIDEZ E A INCERTEZA

 RESENHAS

        O conto “Eleonora” do escritor americano Edgar Allan Poe foi publicado em 1841. Esse conto é narrado em primeira pessoa por um narrador anônimo que relata dois períodos de sua vida: o primeiro refere-se aos acontecimentos relativos às lembranças que envolvem sua amada Eleonora, momentos de razão lúcida indiscutível; e o segundo envolve momentos sombrios e duvidosos do presente que está repleto de incertezas e recordações.

       O narrador-personagem inicia falando sobre sua origem, “uma raça notável pelo vigor da imaginação e pelo ardor da paixão”. Sua amada Eleonora era sua prima, filha única da única irmã de sua mãe, há muito falecida. Os amantes viveram a infância nos vales das Relvas Multicores. Durante quinze anos, eles viveram de mãos dadas pelo vale, antes que o amor os envolvesse. Ela tornara-se uma moça de beleza angelical, natural e inocente.

            Aquele ambiente natural sofre uma imensa mudança: brotaram flores estranhas e brilhantes; margaridas desapareceram; peixes de ouro e prata encheram o rio; uma nuvem imensa veio flutuando, pairou e descansou sobre o cume das montanhas. Nesse mesmo lugar, ao temer que a morte o separasse de sua amada, o narrador lançou-se aos pés dela e fez um voto, a ela e ao Céu de que jamais se casaria com outra filha da terra. Invocou o Supremo Senhor do universo como testemunha do seu voto. Esse voto confortou o coração de Eleonora que faleceu, mas antes revelou ao amante que daria frequentes indicações da sua presença através do vento, perfume dos turíbulos dos anjos...

         Após a morte da amada, o narrador continuou morando no vale das Relvas Multicores. Porém, outra mudança ocorreu nas coisas. “As flores, em formas de estrela, murcharam nos caules das árvores e não mais apareceram. Desbotaram-se os matizes do verde tapete; e, uma a uma, as rúbias abróteas feneceram. E em lugar delas ali brotaram, às desenas, os olhos escuros das violetas, que se retorciam inquietas e estavam sempre pesadas de orvalho”. Até a voz de Eleonora desapareceu, o silêncio primitivo voltou a reinar e a imensa nuvem abandonou o cume das montanhas...

       E as promessas de Eleonora? O narrador continuou no vale? O que houve? Eis algumas questões que o leitor encontrará as respostas lendo o final dessa maravilhosa história de amor entre a lucidez e a incerteza.    

 

MORAIS, José Roberto. Eleonora: o amor entre a lucidez e incerteza. In Revista Sarau - v.6 - nº 18 - março/abril de 2026.

MORAIS, José Roberto. Lucidez e incerteza. In Fantástico Mundo da Leitura. Pará de Minas, MG; VirtualBooks Editora, 2022. (p.23-24) Ebook formato PDF