sexta-feira, 29 de maio de 2026

CAMPOS SALES CIENTÍFICO

CAMPOS SALES CIENTÍFICO: 28 e 29 de maio de 2026 


Campos Sales científico

Hoje teve seu princípio

Um evento magnífico

Na rede do município.

Apresentações brilhantes

Envolvendo os estudantes

Em cada uma produção;

Desenho, dança, poema

Abordando cada tema

Relevante para ação.

 

E neste segundo dia

Novas apresentações

Com o tema cidadania

Envolvendo gerações.

Iniciantes em pesquisa

Que vestem bem a camisa

Construindo suas ideias;

Parabéns protagonistas!

Vocês são nossos artistas

Nós somos suas plateias.


José Roberto Morais

Professor de Linguagens da rede municipal de ensino de Campos Sales (CE) 

Publicado também em: https://www.ubuntunoticiasce.com.br/2026/05/campos-sales-cientifico-2026-em-versos.html



quinta-feira, 21 de maio de 2026

COISAS QUE APRENDI NOS DISCOS

 

Araripe CE, 20 de fevereiro de 2026

Saudações literomusicais, Belchior

O amigo Nonato Nogueira tem falado muito sobre você. Ele é um grande admirador da sua obra e conhecer da sua história. Ele sempre tem uma carta na manga para apresentar projetos sobre você. Desta vez, incentivou-me a escrever esta carta.

Belchior, vou falar um pouco sobre o dia em que o conheci em 2003.

Eu estava cursando a 6ª série (atual 7º ano) do Ensino Fundamental, na Escola Francisco de Assis Leite em Salitre (CE), a cidade capital da mandioca. Era aula de língua portuguesa quando a professora, minha favorita, nos apresentou você. Ela disse: “hoje nós vamos conhecer a obra de um dos melhores cantores da música brasileira. Seu nome é Belchior. Alguém conhece?”

Naquele momento toda a turma ficou em silêncio, pois estávamos acostumados a escutar músicas das tradicionais bandas de forró, brega, sertanejo; mas, a MPB “parecia” ser novidade. Escutamos a canção “Como os nossos pais”: debatemos a temática, fizemos a leitura e compreensão textual da letra, refletimos sobre a mensagem transmitida e comparamos com as músicas que costumávamos escutar no cotidiano. Descobrimos que várias canções que tocava na rádio da cidade era de sua lavra; porém, nós não o conhecíamos. Canções como “Apenas um rapaz latino americano”, “Alucinação”, “Fotografia 3x4”, “A palo seco”, “Sujeito de sorte” e outras tocadas frequentemente nas manhãs de sábado.

Durante aquela aula, a professora nos contou um pouco da sua história. Ficamos sabendo que se tratava de um músico, cantor, compositor, poeta e artista plástico cearense, da cidade de Sobral. Conhecido no cenário nacional, que costumava apresentar reflexões sociais e filosóficas nas suas canções, interpretadas por vários artistas da MPB.

Aquela aula despertou minha curiosidade sobre você e eu comecei a pesquisar e escutar suas canções. Descobri que assim como você, eu também sou “apenas um rapaz latino americano”, que na minha infância tinha “medo de avião” e neste mundo rotineiro continuo vivendo “como os nossos pais”. Às vezes, sinto “alucinação” e viajo por outros mundos com minha “velha roupa colorida”. Há quinze anos trabalho na educação, e algumas vezes reflito “a palo seco” sobre por onde andei gritando em português e inglês. Há dias que me sinto um “sujeito de sorte”, porque quase morri em anos passados, mas compreendo que vivemos cada hora “antes do fim”. Já presenciei situações de preconceito descritas em “Fotografia 3x4”, não proferido pelos guardas, mas por civis que permeiam nossa sociedade hipócrita e continuam vivendo “como o diabo gosta”.

Sei que não devo cantar vitória muito cedo, nem “levar flores” para cova do inimigo. Mas continuo falando das coisas que aprendi nos discos e tudo que aconteceu comigo. Compreendo que teve que partir, mesmo sabendo que iríamos sentir saudades, e que a cultura musical sentiria imensa falta de novas composições do rapaz latino americano. Além disso, aos 50 anos de lançamento, com mais de 500 mil cópias vendidas, o disco “Alucinação” continua sucesso; pois, a solidão, o amor, os direitos humanos, a política e as condições humanas abordados em suas reflexões musicais são atemporais.

Parabéns pelos 50 anos da sua obra-prima e 80 anos de imortalidade na MPB!

Atenciosamente,

José Roberto Morais

MORAIS, José Roberto. Coisas que aprendi nos discos. In Cartas para Belchior: experiência com coisas reais / Nonato Nogueira (organizador); Josely Teixeira Carlos (prefácio). 1ª ed. Fortaleza, CE: Ed. dos Autores, 2026. (p. 33-34)


segunda-feira, 4 de maio de 2026

BOÊMIO INCURÁVEL

LITERATURA UNIVERSAL 


Bandelaire foi poeta

Influente simbolista

Com sua obra completa

Recursos pré-modernista.

Lá em Paris foi nascido

Teve destino sofrido

Ficou órfão ‘inda’ criança;

A mãe casou novamente

O conflito permanente

Afastou sua esperança.

 

Ingressou no internato

E começou a estudar

Com o padrasto o contato

Conflito familiar.

Seu padrasto coronel

Desempenhou seu papel

Mas Charles se rebelou;

Melancólico e solitário

Seguiu seu itinerário

E de Lyon retornou.

 

Ao retornar pra Paris

Tornou-se indisciplinado

Seguiu como aprendiz

No Lyceé matriculado.

Já gostava da leitura

Começou literatura

Seus poemas publicando;

Foi expulso do colégio

Seu jeito nada egrégio

Já estava lhe moldando.

 

Conheceu alguns poetas

Ingressou na boemia

Manhãs e noites completas

De ventura e poesia.

Foi logo pressionado

Para embarcar obrigado

Com destino a Calcutá;

Seguindo sua viagem

Guardou consigo a imagem

De quando saiu de lá.

 

Ficou nas Ilhas Maurício

Com saudades de seu lar

Pra França, seu benefício

Logo pode retornar.

Desperdiçou sua herança

Perdeu sua esperança

Sendo boêmio incurável;

Buscou novas influências

Procurou experiências

E refúgio desejável.

 

Lançou “as flores do mal”

Sua obra foi apreendida

Atentou contra a moral

Como a lei era regida.

Pagando multa pesada

Após a obra publicada

Destaque da geração;

Ouviram logo seus gritos

Pelos poetas malditos

Origem dessa expressão.

 

Foi crítico e tradutor

Da rica literatura

De Edgar Poe, o escritor

Traduziu cada leitura.

Das obras são necessárias

“Histórias extraordinárias”

E “o princípio poético”;

Charles fez sua partida

Abandonou esta vida

Por seu destino frenético.

 


MORAIS, José Roberto. Charles Bandelaire: boêmio incurável. In Revista Sarau. Vol 6. Nº 19. maio/junho 2026. (p.29) ISSN 2965-6192

CECÍLIA MEIRELES: ÁS DA LITERATURA

 LITERATURA BRASILEIRA


Lá no Rio de Janeiro

Nasce a menina Cecília

Neste solo brasileiro

Criança perde a família.

Fica sem mãe e sem pai

Da lembrança nunca sai

Foi grande sua tristeza;

Não teve a bênção paterna

Na casa da avó materna

De origem portuguesa.

 

Dona Jacinta Garcia

Criou aquela pequena

Que encontrou na poesia

A guarita tão amena.

Fez logo o curso primário

Seguiu seu itinerário

Na Escola Estácio de Sá;

Recebeu premiação

Com louvor e distinção

Pois Bilac estava lá.

 

E recebeu do poeta

Linda medalha dourada

A premiação seleta

No começo da jornada.

Já formada professora

Foi jornalista e pintora

Uma amante da cultura;

Sua produção completa

Reconhecida poeta

Um ás na literatura.

 

Com “espectros” ingressou

Nesse mundo literário

Seu estilo conquistou

Público extraordinário.

Logo veio outra conquista

Colaborou em revista

Falando de educação;

O interesse por crianças

Trouxe novas esperanças

E também adaptação.

 

Viajou ao Portugal

Falou da literatura

Destaque educacional

No folclore e na cultura.

“Viagem” foi premiado

Mais um livro consagrado

Trouxe reconhecimento;

Para não causar quizumba

“Batuque, samba e macumba”

Obra de conhecimento.

 

Realizou conferências

Em países diferentes

Adquiriu experiências

Em diversos ambientes.

Fez também ilustrações

Em algumas produções

Quando esteve em Portugal;

Escreveu um “romanceiro”

Um relato brasileiro

Da época colonial.

 

Seus versos sempre completos

Com profundas reflexões

Em seus poemas diletos

Resgatando tradições.

Na geração modernista

Destacou-se como artista

Por sua obra completa;

Cantou o instante que existe

Hora alegre, hora triste

Já partiu nossa poeta.



MORAIS, José Roberto. Cecília Meireles: ás da literatura. In Revista Sarau. vol 6. Nº 19. maio/junho 2026. (p.28) ISSN 2965-6192

sábado, 2 de maio de 2026

OCUPAÇÕES

 1º DE MAIO: FERIADO DO TRABALHO


Mês de maio começando

Hora de comemorar

Dia do trabalhador

Para todos festejar

São diversas as funções

Que podem executar.

 

Nós vamos à sala de aula

Falar com o professor

Mestre do conhecimento

Também é educador

Orientando o discente

Demonstrando seu valor.

 

A médica no hospital

Atendendo ao doente

Chama logo a enfermeira

Pra cuidar do paciente

A dentista logo chega

Pra deixá-lo sorridente.

 

Vem a nutricionista

Cuidar da alimentação

A defensora da lei

Analisa a questão

A delegada chegando

Executa cada ação.

 

O fisioterapeuta

Ajudando a caminhar

Faz os exercícios físicos

Ensinando a respirar

Incentiva ao esporte

Orienta a caminhar.


O jornalista divulga

Cada acontecimento

O bombeiro chega junto

Pra fazer o salvamento

O policial escuta

E anota o depoimento.

 

O político discursa

Iludindo nossa gente

A farmacêutica orienta

Correto, seu paciente

A vendedora atende

Agindo mui gentilmente.

 

A atriz interpretando

Executa seu papel

O poeta chega logo

Declamando seu cordel

A amazona já montada

Adestrando seu corcel.

 

O músico toca o som

Nas cordas do violão

A cantora solta a voz

Na sua interpretação

As dançarinas demonstram

Equilíbrio em cada ação.

 

A camareira organiza

Toalha, lençol e cama

O vaqueiro apaixonado

Aboia, canta e declama

O ouvidor sempre atende

Muita gente que reclama.

 

São diversas profissões

Cada uma é relevante

Exigindo a empatia

Cada ação é importante

Eu listei alguns exemplos

Mas pode seguir avante...


MORAIS, José Roberto. Ocupações. In Clube da Poesia. Ano 2. Nº 10. maio de 2026. (p.10)