RESENHAS
O conto
“Eleonora” do escritor americano Edgar Allan Poe foi publicado em 1841. Esse
conto é narrado em primeira pessoa por um narrador anônimo que relata dois
períodos de sua vida: o primeiro refere-se aos acontecimentos relativos às
lembranças que envolvem sua amada Eleonora, momentos de razão lúcida
indiscutível; e o segundo envolve momentos sombrios e duvidosos do presente
que está repleto de incertezas e recordações.
O narrador-personagem inicia falando
sobre sua origem, “uma raça notável pelo vigor da imaginação e pelo ardor da
paixão”. Sua amada Eleonora era sua prima, filha única da única irmã de sua
mãe, há muito falecida. Os amantes viveram a infância nos vales das Relvas
Multicores. Durante quinze anos, eles viveram de mãos dadas pelo vale, antes
que o amor os envolvesse. Ela tornara-se uma moça de beleza angelical, natural
e inocente.
Aquele ambiente natural sofre uma
imensa mudança: brotaram flores estranhas e brilhantes; margaridas desapareceram; peixes de ouro e prata encheram o
rio; uma nuvem imensa veio flutuando, pairou e descansou sobre o cume das
montanhas. Nesse mesmo lugar, ao temer que a morte o separasse de sua amada, o
narrador lançou-se aos pés dela e fez um voto, a ela e ao Céu de que jamais se
casaria com outra filha da terra. Invocou o Supremo Senhor do universo como
testemunha do seu voto. Esse voto confortou o coração de Eleonora que faleceu,
mas antes revelou ao amante que daria frequentes indicações da sua presença
através do vento, perfume dos turíbulos dos anjos...
Após a morte da amada, o narrador
continuou morando no vale das Relvas Multicores. Porém, outra mudança ocorreu
nas coisas. “As flores, em formas de estrela, murcharam nos caules das árvores
e não mais apareceram. Desbotaram-se os matizes do verde tapete; e, uma a uma,
as rúbias abróteas feneceram. E em lugar delas ali brotaram, às desenas, os
olhos escuros das violetas, que se retorciam inquietas e estavam sempre pesadas
de orvalho”. Até a voz de Eleonora desapareceu, o silêncio primitivo voltou a
reinar e a imensa nuvem abandonou o cume das montanhas...
E as promessas de Eleonora? O narrador
continuou no vale? O que houve? Eis algumas questões que o leitor encontrará as
respostas lendo o final dessa maravilhosa história de amor entre a lucidez e a
incerteza.
MORAIS, José Roberto. Eleonora: o amor entre a lucidez e incerteza. In Revista Sarau - v.6 - nº 18 - março/abril de 2026.
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