sábado, 21 de março de 2026

ELEONORA: O AMOR ENTRE A LUCIDEZ E A INCERTEZA

 RESENHAS

        O conto “Eleonora” do escritor americano Edgar Allan Poe foi publicado em 1841. Esse conto é narrado em primeira pessoa por um narrador anônimo que relata dois períodos de sua vida: o primeiro refere-se aos acontecimentos relativos às lembranças que envolvem sua amada Eleonora, momentos de razão lúcida indiscutível; e o segundo envolve momentos sombrios e duvidosos do presente que está repleto de incertezas e recordações.

       O narrador-personagem inicia falando sobre sua origem, “uma raça notável pelo vigor da imaginação e pelo ardor da paixão”. Sua amada Eleonora era sua prima, filha única da única irmã de sua mãe, há muito falecida. Os amantes viveram a infância nos vales das Relvas Multicores. Durante quinze anos, eles viveram de mãos dadas pelo vale, antes que o amor os envolvesse. Ela tornara-se uma moça de beleza angelical, natural e inocente.

            Aquele ambiente natural sofre uma imensa mudança: brotaram flores estranhas e brilhantes; margaridas desapareceram; peixes de ouro e prata encheram o rio; uma nuvem imensa veio flutuando, pairou e descansou sobre o cume das montanhas. Nesse mesmo lugar, ao temer que a morte o separasse de sua amada, o narrador lançou-se aos pés dela e fez um voto, a ela e ao Céu de que jamais se casaria com outra filha da terra. Invocou o Supremo Senhor do universo como testemunha do seu voto. Esse voto confortou o coração de Eleonora que faleceu, mas antes revelou ao amante que daria frequentes indicações da sua presença através do vento, perfume dos turíbulos dos anjos...

         Após a morte da amada, o narrador continuou morando no vale das Relvas Multicores. Porém, outra mudança ocorreu nas coisas. “As flores, em formas de estrela, murcharam nos caules das árvores e não mais apareceram. Desbotaram-se os matizes do verde tapete; e, uma a uma, as rúbias abróteas feneceram. E em lugar delas ali brotaram, às desenas, os olhos escuros das violetas, que se retorciam inquietas e estavam sempre pesadas de orvalho”. Até a voz de Eleonora desapareceu, o silêncio primitivo voltou a reinar e a imensa nuvem abandonou o cume das montanhas...

       E as promessas de Eleonora? O narrador continuou no vale? O que houve? Eis algumas questões que o leitor encontrará as respostas lendo o final dessa maravilhosa história de amor entre a lucidez e a incerteza.    

 

MORAIS, José Roberto. Eleonora: o amor entre a lucidez e incerteza. In Revista Sarau - v.6 - nº 18 - março/abril de 2026.

MORAIS, José Roberto. Lucidez e incerteza. In Fantástico Mundo da Leitura. Pará de Minas, MG; VirtualBooks Editora, 2022. (p.23-24) Ebook formato PDF


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