quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

CHUVA NO NORDESTE

 TROVAS


Chuva chega no sertão

Abrindo suas cortinas

Deixa lama pelo chão

Nessas terras nordestinas.


Vem descendo nas cascatas

Que regam as cachoeiras

Vai esverdeando as matas

Planeando as ribanceiras.

09/01/2024


SEXTILHA


As asas brancas voltaram

E quatro delas passaram

Vindo do Oeste ao Leste

O céu logo escureceu

Nessa tarde aqui choveu

Neste solo do Nordeste.

10/01/2024


José Roberto Morais

St Tanquinho, Araripe


quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

METRÔ DA SAUDADE

LITERATURA POPULAR


Relembrando minha infância tão bela 

Me vejo no meio do milharal

Ou ordenhando as vacas no curral

E depois fechando a velha cancela

Vejo a loira tão linda na janela

Pensando na nossa felicidade

Ao crescermos mudou-se pra cidade

Nem escutou sequer o meu lamento

Viajei no metrô do pensamento

Num vagão carregado de saudade.


Glosa: José Roberto Morais

Mote: Lucivânio Correia

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

O TROVADOR SOLITÁRIO

 MPB

Renato Russo nasceu

Na Cidade Maravilhosa

Até sete anos viveu

Uma infância primorosa.

Pra Nova Iorque mudou-se

E lá chegando adaptou-se

A cultura diferente,

Ao seu país retornar

Na capital foi morar

Um típico adolescente.

 

Começou compor canções

Uma banda ele formou

Cantando aos corações

E muitos fãs conquistou.

Segue seu itinerário

Do Trovador Solitário

Sua imaginação emana,

Sua carreira seguindo

Com colegas se unindo

Formou Legião Urbana.

 

“Pais e Filhos” ele cantou

“Monte Castelo” também

“Tempo Perdido” inspirou

“A Carta” para alguém.

O “Teatro dos Vampiros”

São canções que eu admiro

Há “Vento no Litoral”

“Que País é Esse?”, grito

“Há Tempos” parece mito 

“Índios” e “As Flores do Mal”.



MORAIS, José Roberto. O Trovador Solitário. In Revista Sarau. Ano 4. Número 6. Fortaleza - CE. janeiro/fevereiro de 2024. (p.30) ISSN 29656192

MÍSTICA PERSONALIDADE

 LITERATURA BRASILEIRA


Hilda de Almeida Prado

Hilst, lá em Jaú nasceu

Tem seu nome resguardado

Pois bons livros, escreveu

Foi poetisa e cronista

No drama ficcionista

Uma ótima escritora

Construiu mundos diversos

Na composição dos versos

Satírica trovadora.

 

De “Presságio” intitulado

Primeira obra instigante

Cada livro publicado

Surpreendia bastante

Da crônica a poesia

Ficção e dramaturgia

Rompe o bom tom literário

Em “Trovas de muito amor”

As “Cartas de um sedutor”

Erótico vocabulário.

 

Suas peças teatrais

De singular produção

Defende seus ideais

Destaque da Geração

Transmite conhecimento

Transgressor temperamento

Às de criatividade

Falando do misticismo

Amor, morte e erotismo

Mística personalidade.



MORAIS, José Roberto. Mística Personalidade. In Revista Sarau. Ano 4. Número 6. Fortaleza - CE. janeiro/fevereiro de 2024. (p.13) ISSN 29656192

sábado, 23 de dezembro de 2023

LUCIANO CARNEIRO: UM MESTRE DO CORDEL

(Luciano Carneiro de Lima - *1942/+2020) 


Vou falar no cordelista

Grande Mestre Luciano

Nascido lá em Teixeira

No solo paraibano

Foi no século passado

Aqui surgiu neste plano.

 

Nasceu no sítio Guedes

No distrito de Palmeira

Das terras paraibanas,

Município de Teixeira.

Foi ali que viu o sol

Pela sua vez primeira.

 

Sendo filho de José;

E sua mãe é Jovita.

Ele, Carneiro de Lima;

Ela, uma moça bonita.

Juntos, tiveram dez filhos

Naquela terra bendita.

 

Ali passou a infância 

E também a adolescência 

Na terra onde ele nasceu, 

Viveu com resiliência. 

Depois, foi pra Bodocó, 

Fixando ali residência.


Depois foi morar no Crato,

Aos dezesseis de idade.

No Cariri, se destaca,

Pela beleza, a cidade,

E gostou muito dali,

Estando na flor da idade.

 

Na chegada, residiu

Nos sítios do Brigadeiro

José Macêdo, onde foi

Campesino e carroceiro.

Cuidou das propriedades

Do patrão mui altaneiro.

 

No ano sessenta e quatro,

Sendo o século o passado,

Com Luzanira Batista

Casou-se. E agraciado

Veio a ser com treze filhos,

Aos quais deixou seu legado.

 

E não frequentou escola,

Mas muito aprendeu na vida

Pois participou apenas

De um curso nesta lida:

Alfabetização Solidária

Foi seu ponto de partida.

 

Participou dum programa,

O “Coisas do meu Sertão”.

La na Rádio, declamava,

Fazendo a divulgação.

Apresentava Elói Teles,

Ás na comunicação.

 

Tornou-se cofundador

Da Arcádia regional

A ACC congrega

Um grupo intelectual

Na defesa do cordel

Patrimônio cultural.

 

No ano dois mil e oito,

Um momento de emoção:

Como Mestre da Cultura,

Recebeu premiação,

Sendo, assim, reconhecido

Por toda população.

 

Após criar várias obras,

Que são registros na história,

No ano dois mil e vinte,

Teve fim a trajetória,

Quando a COVID o ceifou,

Ele partiu para a Glória.

 

Dando adeus a este mundo,

Luciano nos deixou.

Fez sua triste partida,

Pois a missão terminou.

A poesia popular

Com muito pesar ficou.

 

Em uma elegia ao Mestre

Da cultura popular,

A ACC e amigos

Decidiram publicar

Um tributo a Luciano,

E eu pude participar.


José Roberto Morais

ACLC - cadeira nº9

Patrono: Luciano Carneiro de Lima

 


domingo, 5 de novembro de 2023

O CORDELISTA EXEMPLAR

LITERATURA POPULAR 


Em novembro, o aniversário

Do poeta popular

Um ser extraordinário

O cordelista exemplar

Do berço paraibano

Ao solo pernambucano

Construiu sua História

Leandro Gomes escreveu

No cordel permaneceu

Resguardado na memória.

 

O filho lá de Pombal

Da Fazenda Melancia

No cordel, um genial

Mestre dessa poesia

Morou em Jaboatão

Vitória de Santo Antão

Em Recife, a capital

Onde morou de aluguel

Pra divulgar o cordel

Com tino comercial.

 

Viajando e divulgando

Sua vasta produção

Sem medo, seguiu Leandro

Nas veredas do sertão

De anedotas, contador

Com muito senso de humor

Numa escrita divertida

Com métrica e bem rimada

Cada história inspirada

Nas temáticas da vida.

 

"O cavalo que defecava

Dinheiro", ele escreveu

Sobre a seca que devastava

As terras onde viveu

Ele contou em cordel

"Uma viagem ao céu"

E "Juvenal e o dragão"

De Alzira os sofrimentos

De Cancão, o testamento

Um caloteiro em ação.

 

Sua vasta produção

Na poesia popular

Fez Drummond na redação

De “O Brasil” lhe chamar

“O Príncipe dos Poetas”

Das rimas sempre seletas

Da poesia no sertão

Foi grande consolador

Um sátiro trovador

De história e tradição.


MORAIS, José Roberto. O Cordelista Exemplar. In Revista Sarau. Ano 3. Número 5. Fortaleza CE. novembro/dezembro de 2023. (p.37-38) ISSN 29656192

CENTENÁRIO DO POETA MALDITO: JOSÉ ALCIDES PINTO

LITERATURA CEARENSE 


Em setembro, o centenário

De José Alcides Pinto

Poeta extraordinário

Que cantou o seu recinto

Nascido lá em Santana

Sua imaginação emana

A ótima trilogia

Chamada da Maldição

Pinto, Abutres e Dragão

Faz parte dessa autoria.

 

Na literatura fantástica

Fez a vasta produção

Sua obra tão elástica

Fértil imaginação

Falou sobre o erotismo

O delírio, o egoísmo

Loucura, amor e maldade

Lucidez, miséria e morte

São temas e passaporte

Da sua genialidade.

 

Com enigma fascinante

Na arte da literatura

Sua obra é relevante

Interessante leitura

Encanta e prende a atenção

Pois registra transgressão

Para o sobrenatural

Registrando na memória

Alcides fez sua história

Um grande intelectual.


MORAIS, José Roberto. Centenário do Poeta Maldito: José Alcides Pinto. In Revista Sarau. Ano 3. Número 4. Fortaleza CE. setembro/outubro de 2023.  (p. 9). ISSN 2965-6192