quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

ÁRVORES SERTANEJAS

O SERTÃO EM VERSOS

Ao lado da casa minha
Há um grande juazeiro
Um sabiá faz poleiro
Bem-te-vi, gola, rolinha
Até mesmo uma andorinha
Tem cantado seu refrão
É grande a animação
E diversos são os temas
Juazeiros e juremas
Árvores do meu sertão

Quando começa chover
O galo campina canta
O seu canto nos encanta
Logo ao dia amanhecer
A chuva fará nascer
Nossa linda plantação
Depois de longo verão
As chuvas não são problemas
Juazeiros e juremas
Árvores do meu sertão. 

AMOR NO SERTÃO

Ele a viu quando passou
E começou observando
Notou que ela ‘tava’ olhando
Um pássaro que voou
No juazeiro pousou
E cantou uma canção
Que tocou seu coração
Deixando emocionada
Sentindo já ser amada
Pelo homem do sertão

Ela vive na cidade
Esbanjando boniteza
Pois a rica natureza
Percebeu sua vaidade
Ele sente imensa saudade
Do seu sorriso atraente
O seu amor inocente  
Acendeu o seu desejo
Cativando o sertanejo
Que vivia tristemente. 

sábado, 3 de fevereiro de 2018

CHUVA NO SERTÃO

O SERTÃO EM VERSOS

Há muito que não chovia
Açudes secos já tavam
Nem os pássaros cantavam
Era grande a agonia
O sertanejo sofria
Buscava sobreviver
E procurava manter
A sua alimentação
Basta chover no sertão
Pra jurema enverdecer

Começava preparar
A terra para o plantio
Não havia água no rio
Para as plantas aguar
Quando viu relampejar
E começar a chover
O mato veio nascer
Junto com a plantação
Basta chover no sertão
Pra jurema enverdecer

Água corre no telhado
Enche a casa de biqueira
Em cima da laranjeira
O sabiá tá pousado
E muito tem alegrado
Nosso tristonho viver
Estávamos a sofrer
Imensa lamentação
Basta chover no sertão
Pra jurema enverdecer

Os passarinhos cantando
No topo do juazeiro
Voando ‘pro’ cajueiro
A chuvada anunciando
Os cavalos festejando
Tão velozes a correr
O vento vem pra varrer
Os sapos cantam refrão
Basta chover no sertão
Pra jurema enverdecer.


(Sítio Tanquinho, 23/01/2018) 

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

AMOR DE VERÃO

O meu amor por Maria
Me trouxe muita emoção
Ela esbanjou simpatia
Conquistou meu coração
A lembrança que preciso
Não esqueço seu sorriso
O seu beijo lembrarei
Como chuva de verão
Foi forte nossa paixão
Nesse rio mergulhei

Um amor tão passageiro
Só uma noite durou
O cupido tão arqueiro
O meu peito ele flechou
Mas sem haver despedida
Ela fez sua partida
E foi para outra cidade
Jogou apenas um beijo
Aumentando meu desejo
Deixando muita saudade.


(09 de janeiro de 2018)

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

ALIMENTANDO O CERÉBRO


O período de recesso festivo, que integra o feriado natalino em 25 de dezembro e a confraternização universal em primeiro de janeiro, compreende momentos de reencontros e diversão para a maioria das pessoas.
Distante dos afazeres laborais, os profissionais e servidores públicos buscam formas e atividades diversificadas para preencher o ócio. Alguns vão ao cinema; outros costumam divertir-se com churrascos e bebidas; poucos frequentam cantorias; muitos festejam a queima de fogos etc.
Diante das diversas atividades sugeridas, uma envolve-me e gasto longas horas em dedicação ao meu favorite hobby – a leitura. Aproveitei esse período de feriado festivo para reler obras de grandes escritores da literatura brasileira. O Ateneu de Raul Pompeia levou-me a adentrar um colégio interno do final do império e início da república. Revivi os acontecimentos de crise e miséria moral, o mundo de opressão e hipocrisia retratados pelo narrador Sérgio que sentiu-se incapaz de ajustar-se àquele ambiente. Machado de Assis em sua obra romântica, Helena, relatou um caso de amor que envolve o leitor com um enredo inspirado no Romantismo, com personagens e tramas simples, carregados de sentimentalismo. Além desses, os contos Fins d’água de Genuíno Sales apresentaram ambientes sertanejos com tramas e enredos simples que relatam histórias da zona rural – a presença de ciganos na fazenda, os amores inocentes e furtivos, os banhos de açudes, os remédios caseiros etc.
A poesia também está presente entre as diversas leituras realizadas, por isso os folhetos de cordel de Dalinha Catunda, Anilda Figueiredo, Hugo Rodrigues, Ernane Tavares, José Joel, Deusimar Rodrigues, Acácio Silva, Vavá Freire, Chicó Fernandes, Di França, José Roberto e outros cordelistas entreteram o período de recesso festivo.
Meu hobby favorito é a leitura, pois compreendo que a mesma é tão relevante para mente quanto o exercício para o corpo.

ALEGRIAS E TRISTEZAS NO FERIADO NATALÍCIO


O feriado natalício tem caráter religioso e é comemorado pela cristandade celebrando o nascimento de Jesus de Nazaré. Digo cristandade, porque os verdadeiros cristãos não comemoram o natal. Visto que antigamente não se comemorava nascimento de alguém. Além disso, os fatores históricos e naturais possibilita a compreensão de que Jesus de Nazaré não nasceu no mês de dezembro.
Nesse período de feriado festivo são vividos momentos de imensa alegria. O reencontro entre familiares e a famosa ceia de natal são os principais caracteres desses acontecimentos. Parentes que estiveram ausentes costumam retornar ao seio familiar para festejar com amigos, primos, irmãos, filhos, pais, avós... A ceia natalina geralmente tem carne e bebida. O peru, geralmente, é a ave preferida para compor a ceia juntamente com o vinho. Acompanhados de uma boa conversa e narração de estórias e histórias, o churrasco também enriquece a mesa das famílias. Os votos de felicidades são acompanhados com apertos de mãos e abraços incomuns no cotidiano das pessoas.
Por outro lado, esses eventos natalinos são marcados pelos acidentes e assassinatos que entristecem as pessoas. Pois, muitas delas ingerem bebidas alcoólicas e ao dirigirem seus veículos causam acidentes enquanto outras envolvem-se em discussões, relacionamentos “proibidos” e acabam brigando e/ou assassinando alguém.
Portanto, os momentos alegres prevalecem nesse período de feriado. Os reencontros familiares são marcados pelos momentos festivos de alegria e diversão. Mas acidentes e assassinatos costumam interromper esses momentos para mostrar que a tristeza também une amigos e familiares no período natalino.
Sítio Tanquinho, Araripe, 28 de dezembro de 2017

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

FANTÁSTICO MUNDO DA LEITURA

            Desde pequeno aprendi a viajar pelo mundo da leitura. Percebi que os textos oferecem mundos diversos para apreciarmos. 

            Viajei pelo país da gramática com Emília, Pedrinho e o rinoceronte. Conheci a Távola Redonda e seus cavaleiros, entre eles, o rei Artur e o cavaleiro Lancelote. Penetrei as matas brasileiras e conheci Peri, Iracema, Cauê, Poti, Jaci e outros índios. Montei na mula sem cabeças e persegui o curupira. Pesquei com o Jeca Tatu e depois fui ao engenho de Seu Lula, embora estivesse com o fogo morto. Em passagem por Portugal, ouvi a mensagem de Pessoa e descobri o crime do padre Amaro e o adultério de Luísa com o primo Basílio; passei pelas cidades e serras com Eça de Queiroz e cheguei aos Maias. Ao conversar com Castelo Branco, falamos sobre os amores de perdição e salvação. Encontrei Eurico, o presbítero com Alexandre Herculano procurando Hermengarda que havia enlouquecido de amor. Garret me contou algumas aventuras vividas nas viagens à minha terra. Em passagem pela Inglaterra, presenciei o amor de Romeu e Julieta entre guerras que culminou numa tragédia; conheci Oliver Twist no asilo da mendicidade e fomos a Londres viver aventuras com os “gatunos” e conhecer uma sociedade marginalizada. Retornei à América e maravilhei-me com as narrativas de mistérios e terror de Edgar Allan Poe; já na América do Sul, vivi cem anos de solidão até encontrar o carteiro e o poeta, mas emocionei com cem sonetos de amor e as memórias de minhas putas tristes. Cheguei ao Brasil pelo Rio Grande do Sul e encontrei o negrinho pastoreando os cavalos montado no Baio observando os lírios do campo e seguindo as trilhas do grande sertão veredas; depois encantei-me com os arquipélagos de Veríssimo, mas decidi conhecer os sertões na Bahia e encontrei os capitães de areia na tenda dos milagres. Andei pelas terras dos meninos pelados e encontrei o menino do dedo verde. Conheci o galo que logrou a raposa e o pato que bateu no marreco. Abri alas para o peru; depois ouvi as relíquias da casa velha comendo as deliciosas guloseimas da Tia Nastácia com Visconde de Sabugosa em passagem pelo sítio do pica-pau amarelo. Voltei ao Ceará e festejei o nascimento de Moacir, filho de Iracema; admirei as aventuras do sertanejo Arnaldo e a beleza de Flor na fazenda; mas fui convidado por Alencar para visitar a viuvinha no Rio de Janeiro onde conheci a Senhora Amélia que me dedicou apenas cinco minutos do seu precioso tempo, mas falou-me do amor entre Lúcia e Paulo em Lucíola... Conversei com Esaú e Jacó e me fascinei pela beleza de Capitu que fora casada com Bentinho, vizinho de Brás Cubas e sua amante Marcela. Voei com José Lins e pousei na Paraíba. Fui ao engenho de seu avô e conheci o menino de engenho, doidinho e o moleque Ricardo. Ainda nas terras paraibanas conheci João Grilo, gargalhei com as mentiras de Chicó e temi ao ver o major Antônio Morais. Em passagem por Alagoas, observei as vidas secas do vaqueiro Fabiano, a Sinhá Vitória, a cachorra Baleia e os meninos. Graciliano Ramos ainda relatou-me suas memórias do cárcere. Cheguei em Pernambuco e ouvi as liras dos cinquentas anos de Bandeira; percebi que a maioria dos pernambucanos tem vida e morte Severina e ouvem os galos cantando e tecendo uma manhã. Em Exu, escutei histórias dos reis do cangaço e do baião na voz do poeta Falcão. Ao chegar nas terras caririenses, conheci fatos históricos, religiosos e políticos que envolveram o padre Cícero Romão em milagre em Joaseiro, revivi o passado e conheci a história de Benigna com Sandro Cidrão. No Araripe, vivi um grande amor, pintei as estórias de amor em amarelo ouro, vermelho carmim e lilás. Fui ao Riacho Grande e conheci sua história, depois busquei um refúgio para escrever 50 sonetos. Encontrei o filho da terra seca que tornou-se discípulo da inspiração, concluindo a vida e o verso. Passei em Campos Sales e percebi que um bom educador santifica seu espirito. Fui ao Salitre e conheci sua história comendo farinha numa cuia grande, além de apaixonar-me com o soneto de identidade e outros poemas. 

            Depois de muito viajar, cheguei ao reino de Savalha e renunciei um amor. Ouvi as Crônicas de Nárnia, conheci os segredos da mente milionária e descobri que não tenho fé o suficiente para ser ateu. Por isso, ao acordar fiz as leituras diárias e ouvi o chamado de Jesus, pois descobri que Ele é a única esperança ao conhecer Bianca Toledo e descobrir a prova viva de um milagre.

José Roberto