segunda-feira, 26 de julho de 2021

SOU NORDESTINO

 Fui criado no roçado

Plantei milho e mandioca

Comi muita tapioca

Amansei burro em arado

No curral juntei o gado

Amarrei boi em mourão

Usei perneira e jibão

Era moleque traquino

Eu também sou nordestino

Do jeito que vocês são

 

Vi a lua aparecendo

Quando cedo escureceu

A noite logo desceu

Mas estrela não tô vendo

O frio já vem correndo

Lua traz inspiração

Sento no alpendre do oitão

Vou cumprindo meu destino

Eu também sou nordestino

Do jeito que vocês são.

 

José Roberto Morais

Mote: Valdir Teles & Zé Viola

 

Sítio Tanquinho, 23/julho/2021

terça-feira, 20 de julho de 2021

SONHOS

 

Era uma mulher tão bela

Vi seu rostinho moreno

Sorrindo pela janela

Seus lindos lábios serenos

Um sorriso encantador

Cativou o meu amor

Foi ela a mulher que amei

Ela estava apaixonada

Saímos na madrugada

Enquanto dormi, sonhei

 

Sua beleza infinita

Não consigo descrever

Mulher esbelta e bonita

Meus olhos sonham rever

Nosso encontro no mercado

Aquele abraço apertado

Todas vezes que a beijei

Eu registrei na memória

Escrevendo nossa estória

De repente me acordei.

 

José Roberto Morais

St Tanquinho, 20/07/2021

ENCONTRO INESPERADO

 

Um encontro inesperado

Na CPU registrei

Pois não estava agendado

Porém não esquecerei

Um momento tão preciso

Aquele lindo sorriso

Cativou minha atenção

No cérebro registrado

Meu amor encarcerado

Nas grades do coração

 

Numa noite de luar

Quando eu a conheci

Ela veio me falar

Ao chegar eu percebi

No seu olhar um encanto

Feitiço tem no seu canto

Eu senti sua emoção

Um encontro inesperado

Meu amor encarcerado

Nas grades do coração.

 

José Roberto Morais

St Tanquinho, 11/07/2021

CANÇÃO DE DOMINGO

 

Ja é manhã de domingo

Lembrei 30 de dezembro

O tempo passou tão rápido

Mas agora eu relembro

 

Depois daquele setembro

Um encontro inesperado

Nossas estrelas se cruzam

Sem ser o dia marcado

 

No calendário riscado

Por ser domingo à tardinha

No rádio nossa canção

Renovou o amor que tinha

 

E mais um novo ano vinha

Pra trazer felicidade

Nessa Canção de domingo

Um resgate da saudade.

 

José Roberto Morais

St Tanquinho, 11/07/2021

quarta-feira, 26 de maio de 2021

A CASA DA SAUDADE

Reviver o passado através de recordações é algo comum ao poeta. Este costuma relatar, em versos ou crônicas, momentos que foram marcantes na sua vida. Nesta cronicazinha, relembro os dias vividos na casa de meu avô.

A casa que vovô morou, situada no Sítio Tanquinho, zona rural de Araripe-CE, é uma relíquia de momentos históricos familiares. A casa era enorme. Tinha na frente um alpendre. Ao entrar, seguia-se a varanda (sala de estar), ladeada pelos quartos, o corredor, a sala de jantar e a cozinha separadamente. A chegada à sala de jantar é marcada por uma miniescada devido às irregularidades do terreno.

Na varanda havia uma mesa rodeada por algumas cadeiras, os quadros de “santos” na parede, tornos para armar as redes, duas janelas que davam uma claridade ao ambiente receptativo da casa (uma na frente e outra no lado do leste) e o quarto ao oeste. Este quarto da varanda servia apenas para guardar as ferramentas de trabalho (enxadas, enxadecos, foices, machados, cavadeiras, cavadores, facões, ciscadores, braças...). Seguindo pelo corredor, havia dois quartos (o aposento de vovô ao leste e dos hóspedes ao oeste). Depois, chegava-se à sala onde estava a mesa de jantar, o armário na parede, uma janela para o ‘poente” e um quarto ao leste. Nesse quarto ficavam os equipamentos de vaquejar o gado (gibão, perneiras, selas, cabeçadas, botas, chocalhos, cordas, cabrestos...). Após a sala, havia separadamente a cozinha com um fogãozinho a lenha, o guarda louças e uma mesinha, além do pé-de-panelas e um quartinho de despensa.

Para alcançar o alpendre, tínhamos que subir os degraus nos lados ou na frente. No alpendre ficava o banco de madeira onde brincávamos damas e sentávamos para contar os carros que passavam na pista (rodovia) que fica cerca de 500 m distante ou atirar pedras com uma baladeira (estilingue) nos viajantes que passavam na estrada.     

Lembro-me que na infância quando morávamos com vovô durante os meses de outubro, novembro e dezembro – período em que a família vinha morar no tanquinho por falta d’água na serra – eu, então pequeno, ia todos os dias ao quarto de vovô mostrá-lo meus cavalos-de-pau. Depois saia e ia brincar com meu primo na casa vizinha, ao oeste. Brincávamos de bila, carrinho, boi, bola, esconde-esconde, policial e bandido etc.

Hoje moramos em frente à casa de vovô. Por isso, há momentos que ao sentar e observar a casa que morei na infância, sinto uma saudade daqueles dias em que os momentos de brincadeiras eram a única ocupação durante o dia na casa de vovô. E à noite, a novela “Chiquititas” nos entretia antes de irmos dormir para sonharmos com novas travessuras para o dia vindouro na casa de vovô, que se tornou a Casa da Saudade.

José Roberto, ALB22/SPA13

segunda-feira, 19 de abril de 2021

LONG LIFE TO THE KING

 Ao cantor Roberto Carlos


Nesta data especial

Pra música brasileira

Seguindo sua carreira

No cenário musical

Destaque nacional

Hoje aniversariando

A MPB festejando

Com toda sociedade

80 anos de idade

O Rei está completando.

 

Nasceu no Espírito Santo

O cantor e Rei Roberto

Pra música foi descoberto

Libertou logo seu canto

Cantando alegria e pranto

Seus sucessos divulgando

A parceria formando

Com Erasmo em Amizade

80 anos de idade

O Rei está completando.

 

José Roberto

Sítio Tanquinho, Araripe CE

19 de abril de 2021

quinta-feira, 1 de abril de 2021

PAISAGEM DO INTERIOR

O SERTÃO EM VERSOS


 Eu vejo um velho jumento

Passar puxando a carroça

Um homem sair pra roça

Levando seu instrumento

No saco seu alimento

Pra comer pós o labor

E quando sente calor

Um gole d’água é bebido

Isso é cagado e cuspido

Paisagem do interior

 

Escuto o nambu cantar

No cercado da fazenda

Um retirante faz tenda

Para poder se abrigar

Ouço um tiro disparar

Deve ser um caçador

Um vaqueiro aboiador

Sua missão tem cumprido

Isso é cagado e cuspido

Paisagem do interior.

 

Glosas: José Roberto

Mote: Jessier Quirino

Sítio Tanquinho, 01/abril/2021