A arte poética é
Repleta das emoções
Demonstramos nossa fé
Citamos opiniões
Uma fonte de leitura
É um berço da cultura
Um arquivo na memória
Um palco de equilibristas
Que nas letras são artistas
Para registrar História
Odes, sonetos, epopeias
Os hinos, as elegias
Transmitindo as ideias
Músicas tem poesias
As éclogas e as imagens
Nos favorecem viagens
Ao reino dos menestréis
Enriquecendo a cultura
Temos a literatura
Também expressa em cordéis
Leve para sua sala
Os livros da sua estante
Poesia em sua aula
Envolvendo os estudantes
Convide para pensar
Entreter ou viajar
Nesse mundo imaginário
Permitindo a criação
Transmita esta lição
No projeto literário
E mostre aos estudantes
Seu amor pela leitura
Transfira esse instante
Busque na literatura
Espalhando seu sorriso
Poetizar é preciso
Docência com poesia
Faça a leitura do mundo
Envolva, seja profundo
Demonstre sempre empatia.
JR Morais
Poema apresentado no Encontro Pedagógico (virtual) de linguagens da SME de Campos Sales em 06 de julho de 2020.
Espaço literário para publicação de artigos de opinião, crônicas, poemas e resenhas.
quinta-feira, 23 de julho de 2020
terça-feira, 16 de junho de 2020
ARTISTAS DO ENSINAR
Em
tempos de pandemia
Se
renova o professor
Ministrando
com alegria
Passa a
ser orientador
Mas
ficando conectado
O dia
inteiro ligado
Repassa
sua lição
Na arte
sempre renova
Elabora
sua prova
Corrige
avaliação
Sempre
buscando atingir
Atender
aos estudantes
Procurando
distinguir
Conteúdos
relevantes
Busca
metodologias
Renovando
as energias
Pra
poder incentivar
Convida
para viagem
No
ensino e aprendizagem
É Artista
do ensinar
Navega
na internet
Procurando
vídeo aulas
E
coloca no disquete
Depois
leva para sala
Durantes
suas lições
Recebe
as informações
Transforma
em conhecimento
Orienta
uma leitura
Obra de
literatura
Pra
fazer embasamento
Nós
somos grandes guerreiros
Em
favor da educação
Na
didática, pioneiros
Pois
cumprimos a lição
A
profissão exemplar
Para
poder educar
Respeitamos
discordância
Pra
haver entendimento
Em prol
do desenvolvimento
Agimos
com tolerância.
José Roberto
terça-feira, 14 de abril de 2020
CINCO ANOS DE SAUDADE
Peço
licença ao leitor
Leia com muita atenção
Vou
versejar com amor
Transbordando
de emoção
Falo
em Joana Morais
Que
há cinco anos atrás
Partiu
para eternidade
Enquanto
viveu aqui
Fez
muita gente sorri
Um
exemplo de humildade
Aquele
lindo sorriso
Ninguém
consegue esquecer
São
lembranças que preciso
Guardar
aqui no meu ser
Feliz
infância viveu
No
sítio onde nasceu
Até
sua mocidade
Quando
jovem se tornou
Seus
sonhos alimentou
E
foi morar na cidade
Em
Campos Sales morou
Estudou
lá no Grupinho
Amigos
lá encontrou
E
seguiu o seu caminho
Vivia
sempre contente
E
ali diariamente
Na
rádio apresentava
O
meu Cristo não tem cor
Com
leituras e louvor
Pra
os ouvintes ministrava
Vivia
lá no convento
Pela
Itália viajou
Resguardou
no pensamento
Agiu
sempre com amor
Retornou
para seu lar
Com
nossos pais foi morar
E
vivia alegremente
Quando
menos se esperava
Sintomas
não demonstrava
Adoeceu
de repente
Era
mês de novembro
Quando
Joana desmaiou
Numa
manhã, eu me lembro
No
seu cérebro um tumor
Em
dezembro a cirurgia
Acabou
sua alegria
Joana
ficou sem falar
Foi
seguindo a jornada
Era
triste sua estrada
Já
não conseguia andar
Com
mais duas cirurgias
Tornou-se
uma cadeirante
E
as suas liturgias
Foram
seus fortificantes
Dez
anos ela sofreu
A
doença lhe venceu
Joana
fez sua partida
Naquele
mês de abril
Pra
eternidade seguiu
Abandonou
essa vida
Cinco
anos ‘tá’ completando
Que
já não estar presente
Estamos
só relembrando
Aquele
olhar sorridente
Resta-nos
muita saudade
Dos
dias de mocidade
Que
conosco aqui viveu
O
tempo vai se passando
Os
momentos resguardando
Lembrança
do riso seu
Nós
guardamos na memória
Belos
momentos passados
Escrevendo
sua História
Eles
ficam registrados
Para
posterioridade
Exemplo
de humildade
Carisma,
zelo, alegria
Semeando
sempre a paz
Viveu
Joana Morais
Sua
vida dia a dia.
+14/04/2015
segunda-feira, 13 de abril de 2020
O MELHOR VAQUEIRO
Sou filho deste
torrão
Onde vovô vaquejou
Nos campos ele
estudou
Fazendo sua lição
Foi na sela com gibão
Onde seguiu sua lida
Procurou vaca perdida
No mourão amansou boi
Meu avô sem dúvida
foi
Um vaqueiro sem
medida
No mês de abril
nasceu
Já passou seu
centenário
Cumpriu seu
itinerário
No Tanquinho onde
viveu
Hoje lembro o jeito
seu
Montando seu alazão
Para pegar barbatão
No mato foi pioneiro
Foi o melhor vaqueiro
Que viveu neste
sertão.
Homenagem ao meu avô, Moisés Otoni de Morais.
*13/04/1913 / + 27/01/1998
107 anos do seu nascimento.
terça-feira, 24 de março de 2020
DITADOR INVISÍVEL
Trancado,
sem relações interpessoais
Apenas relação
virtual é possível
Governado
por um ditador invisível
Expandindo
seus domínios cada vez mais
Impera e
controla nos tempos atuais
Para unir
e separar, é imprevisível
Distancia
amigos; amantes, impossível
Enlaçar
as mãos, abraçar; beijar, jamais
Nas relações
interfere constantemente
Encontros
de pessoas impossibilita
E torna
inconstante os dados da economia
Tem dificultado
a visita de parente
Que em
outras cidades ou estados habita;
Pois,
no reino do Corona não há empatia.
Sítio Tanquinho, Araripe - CE, 24/03/2020.
CHUVA NO CARIRI
O SERTÃO EM VERSOS
A chuva
ao amanhecer alvejou
O
sertão, onde adotei ser meu lar
Não
pude ir à roça trabalhar
Nem
colher o feijão que já brotou
Sentado
fiquei, da porta a observar
A água
que descendo se ajuntou
No
baixio, o açude se formou
Onde os
sapos estão a coaxar
No
juazeiro, pássaros pousando
Percebo
o campina, o bem-te-vi
Cantando,
escuto nambu e juriti
Nas
roças, o feijão já enramando
Está o
verde milharal brotando
As
nuvens derramam no Cariri.
Sítio Tanquinho, Araripe - CE, manhã de 24/03/2020.
segunda-feira, 23 de março de 2020
O ENCONTRO DOS AMANTES NO MEIO DO CAMINHO
José Roberto Morais¹
Considerações iniciais
O termo parnasianismo se
originou da tradução de Parnasse
(Parnaso), morada mitológica dos poetas. No final da década de 1870 e anos 80
do século XIX prevalece a rejeição ao sentimentalismo romântico e a busca pela
criação de uma poesia que se orientasse pelo ideal da “arte pela arte”. Essa ideia de que a arte constitui um
exercício intelectual destinado ao prazer da contemplação foi proposto pela
revista Le Parnasse Contemporain e
pelos representantes franceses dessa tendência: Théophile Gautier, Leconte de
Lisle e Charles Baudelaire. No Brasil, o movimento recebeu boas-vindas nas
escolas de Direito e amplamente valorizado pela elite nacional, influenciando a
produção poética até 1922. A tríade parnasiana brasileira que tronou-se famosa
no seio literário é composta por Alberto de Oliveira, Olavo Bilac e Raimundo
Correia.
O
Príncipe do Poetas Brasileiros
Olavo Brás Martins dos
Guimarães Bilac nasceu em 16 de Dezembro de 1865 no Rio de Janeiro,
Brasil. Foi um jornalista e poeta brasileiro, membro fundador da Academia
Brasileira de Letras, autor do Hino à Bandeira Nacional Brasileira. Homenageado
com o título de Príncipe do poetas brasileiros, pela revista Fon-Fon através de
concurso. É considerado um dos mais importantes e populares poetas brasileiros.
Morreu em 28 de Dezembro de 1918 na sua cidade natalícia.
O
Encontro dos Amantes no Meio do Caminho
NEL MEZZO DEL CAMIN...
Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha...
E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.
Hoje segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha...
E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.
Hoje segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.
E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.
Ao realizar a leitura do
poema, pode-se fazer algumas observações: iniciando pelo título, percebe-se que
está em língua latina, considerada uma língua culta, clássica. Além disso,
trata-se de um trecho de verso da Divina comédia do escritor italiano Dante
Alighieri. Ao observar a estrutura, nota-se uma preocupação da arte pela arte,
demostrada pela preferência pelo soneto: poema clássico formado por dois
quartetos (estrofe de quatro versos) e dois tercetos (estrofe de três versos).
Ao analisar as rimas apresentadas, percebe-se que a maioria são rimas ricas,
isto é, palavras de classes gramaticais diferentes, como estrada (substantivo)
e deslumbrada (adjetivo); minha, (pronome possessivo) e continha (verbo); tremo
(verbo) e extremo (adjetivo).
Outras características
parnasianas estão relacionadas ao tema abordado de forma impessoal, pois para
os poetas parnasianos é indispensável que os sentimentos fossem comunicados por
meio da forma pura e de expressões comedidas, compreendendo que a beleza reside
no equilíbrio e na serenidade. Já que a poesia parnasiana pretende ser
impassível e manifesta a atração por tempos (longos anos) e lugares remotos
(estrada da vida); restaura uma cultura clássica, erudita, que proporciona
enlevo, deslumbramento ao leitor (título em latim: nel mezzo del camin...); comedimento emocional e construção de
formas puras com simplicidade da beleza advinda de um esforço de mestres da
versificação (versos decassílabos); palavras bem escolhidas e arquitetadamente
organizadas comunicam com maior eficácia os sentimentos (preferência pelo ordem
inversa).
Algumas figuras de linguagem
enriquecem a mensagem transmitida nos versos. Na primeira estrofe, percebe-se a
repetição simétrica comunica a ideia do encontro dos amantes, que viviam emoções
idênticas. Ressalta-se que o encontro foi perfeito e oportuno, pois trouxe os
amantes estavam tristes e cansados, mas tinham sonhos na alma.
Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha...
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha...
A segunda estrofe apresenta a união do casal. Para que
vivam esse amor iluminado por muitos anos juntos, revelando a felicidade
amorosa vivida pelos amantes.
E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.
Na estrofe seguinte, os
amantes são separados definitivamente devido à morte da mulher, sugerida pela
ausência de emoção no momento da partida.
Hoje segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.
Na última estrofe, “E eu, solitário, volto a face, e tremo, / Vendo o
teu vulto que desaparece / Na extrema curva do caminho extremo.”, mostra-se um
amante resignado, triste e solitário, como alguém que treme e compreende a
morte, implícita pela expressão “extrema curva do caminho extremo”, que metaforicamente
faz referência ao fim da vida.
Nota 1: Professor e escritor; Graduado em Letras pela URCA; Especialista em Metodologia do Ensino de Inglês e Português pela UCAM, e
Docência do Ensino Superior pela FAIARA.
Referências
BILAC,
Olavo. In Obra reunida (org. Alexei Bueno). Rio de Janeiro: Nova Aguilar,
1996, p.155.
MOISÉS,
Maussad. História da Literatura Brasileira: realismo e simbolismo. Vol
II. 5ª edição. São Paulo: Editora Cultrix, 2001.
TORRALVO,
Izetti Fragata. Linguagem em movimento: literatura, gramática, redação: ensino
médio, vol 2 / Izetti Fragata Torralvo, Carlos Cortez Minchillo. – São Paulo:
FTD, 2008.
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