terça-feira, 28 de março de 2017

A ALIENADORA E OS ALIENADOS


A televisão brasileira se transformou numa vitrine de fofocas, violência, besteirol e pornografia (mal) disfarçada. O público desta terra inculta, despreparada culturalmente, prefere a distração fácil e agressiva, as informações emocionantes e falsas, as pegadinhas engraçadas e humilhantes. Sem pensar, interpretar ou contestar, o público gasta seu tempo livre com muita imundície.”
A caixa bestificante, como chamou o cartunista, Fernando Gonsales, no final do século passado, transformou seus telespectadores em dependentes. Hoje parece não existir um lar sem que a vitrine de fofocas esteja exposta na sala de estar.
Com uma variedade de imundícies para apresentar, neste quesito perdendo apenas para as redes sociais, a televisão mostra diariamente distrações fáceis e agressivas, tais como os desenhos animados que apresentam violência na maioria dos episódios e são direcionados para o público infantil, infectando e alienando-o desde o princípio da existência. O Homem-Aranha, Hulk, Super-Homem, Ben 10 e outros desenhos insignificantes e irresponsáveis se tornam os favoritos da garotada, pois essa é influenciada pelas mães desde cedo. Já que, as mães alienadas já colocam seus bebês chorosos que necessitam de carinho e atenção para serem infectados com o vírus incontrolável transmitido pela televisão. Se o bebê chora, a mãe liga a TV e o coloca em frente. Então contagiado pelo vírus da caixa bestificante, a criança para de chorar e mãe pode realizar suas atividades.
Por volta dos 8 aos 10 anos, a criança não consegue mais a sua independência e passa horas assistindo aos desenhos cada vez mais violentos.
Outro aspecto característico da vitrine apassivadora são as fofocas e a pornografia mal disfarçada. Esses são aspectos presentes diariamente nas telenovelas, minisséries e reality shows. Nesses quesitos, a Rede Globo é a campeã, apresentando imundícies a partir das 4 horas da tarde. As telenovelas tão conhecidas como o Vale A Pena Ver de Novo, das 18, 19 e 21 horas. Além de reality shows, tais como o Big Brother Brasil que é apresentado no início do ano e tinha como apresentador o jornalista Pedro Bial, há as minisséries campeãs em pornografia e fofocas, que não vale a pena enumerar as imundícies apresentadas pela vitrine alienadora através da Rede Globo. Difícil é encontrar um programa cultural significativo nessa caixa bestificante.
Essa caixa bestificante é tão popular nas residências brasileiras que em muitas casas da classe operária onde a pobreza permeia incansavelmente, os componentes da família comem mal, vestem-se mal, não possuem móvel algum em casa, mas em algum canto da sala de estar sobre a mesa ou algo, encontra-se a alienadora transmitindo fofocas, violência, besteirol e pornografia aos seus alienados que são passivos e influenciáveis, pois fazem parte de sociedade inculta que não pensa, não interpreta, nem contesta as imundícies que veem.
Além dos incultos, é triste ver a alienação quanto às imundícies apresentadas pela televisão também entre as classes que frequentam ou frequentaram as salas das universidades e possuem diplomas de cursos relevantes, mas que são diplomados diariamente como alienados das imundícies transmitidas pela televisão, a alienadora caixa bestificante.

JEITINHO BRASILEIRO


Enquanto eu estava na fila de uma casa lotérica para pagar as contas de água e energia (luz), percebi entre as pessoas que ocupavam a fila para pessoas com prioridade, uma conhecida que mantinha nos seus braços seu filho de menos de um ano de idade.
Após receber o atendimento por parte da funcionária da lotérica. A mulher retirou-se com a criança e minutos depois sua amiga que não tem filhos, entrou na casa lotérica carregando nos braços o filho da amiga que havia saído aos poucos minutos. Dirigiu-se a fila de prioritários e recebeu o atendimento, saindo logo em seguida.
Outro exemplo de jeitinho brasileiro, presenciei outro dia no trânsito da pacata cidade onde trabalho.
Na avenida principal da cidade, há um cruzamento onde há sinalização com semáforos. Eu aguardava pelo sinal verde para poder seguir viagem quando uma professora (que deveria ser o exemplo para os demais usuários pela formação acadêmica e ocupação que exerce) chegou e parou ao meu lado. Mas ela não esperou pelo sinal verde, mal parou já estava viajando e avançando contra o sinal vermelho que proibia sua passagem.
São fatos como esses que me levam à reflexão. Muitas pessoas julgam, condenam ou se divertem ironizando o comportamento daqueles que ocupam cargos públicos, tais como os vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores e presidente. Tacham de corruptos, ladrões, bandidos etc. Reclamam que a educação está ruim, que a saúde não pública não funciona, que não há segurança pública etc. Mas quando surge a oportunidade de mostrar o seu lado corrupto não perdem a oportunidade. Não devolvem o troco que receberam a mais, ultrapassam o sinal vermelho, pegam a criança alheia para entrar na fila de prioridade, fingem sentir dor para não enfrentar a fila no hospital, votam apenas para manter o seu emprego ou de alguém da família, ao pedirem algo emprestado costumam não devolvê-lo, pagam propina aos policiais para não serem multados etc.
Imagine se essas pessoas chegarem ao poder: Como irão agir? Serão justas tendo a oportunidade de conseguir os objetivos mais facilmente? Eu penso que quem é corrupto com o pouco; com o muito, mais corrupto será ou simplesmente manterá o jeitinho brasileiro nos eventos cotidianos.

quinta-feira, 2 de março de 2017

REDES SOCIAIS: MUITA INFORMAÇÃO, POUCO CONHECIMENTO


Atualmente a informação é veiculada rapidamente através das redes sociais. What’s app e facebook superaram o rádio e a televisão como veiculo de informação. Porém, permitem a circulação de muitas informações inverídicas, corriqueiras, insignificantes que jamais serão transformadas em conhecimento.
Há pessoas que costumam ocupar boa parte do dia conectado à internet através das redes sociais. Algumas ganham o sustento nisso: postam fotos, charges, calúnias, textos etc. Outras apenas curtem, compartilham e às vezes comentam aquilo que alguém postou.
As informações inverídicas são postadas frequentemente. Algumas sobre mortes de famosos que ainda vivem, outras sobre fatos que dificilmente ocorrerão etc. Pois, para pessoas que postam esse tipo de informação, a relevância não está no fato, mas na quantidade de seguidores que irão curtir, compartilhar e comentar. Já as informações corriqueiras que se repetem diariamente e os usuários curtem, compartilham e frequentemente comentam monossilabicamente. Tais informações sobre política, saúde pública, segurança, preconceito etc. Além dessas, há ainda as informações insignificantes, aquelas que não irão mudar nada, pois não dizem nada relevante. Um exemplo desse tipo de informação pode ser percebido em mensagens do tipo: #partiu para ..., #se sentindo confiante, feliz, esperançoso, triste etc...
Realmente as redes sociais vão de encontro ao conhecimento, pois elas atrapalham até os momentos únicos com amigos. Cito como exemplo quando você está debatendo com amigos um assunto significativo, como a cultura ou educação. Alguém cita Freire, outro comenta, um terceiro complementa e um quarto que está conectado às redes sociais apenas permite soar um aham. Pois está curtindo, compartilhando, às vezes comentando algo on line.
Eu fiquei surpreso outro dia durante uma gincana escolar, realizada pela área de Ciências Humanas. Nesse evento, descobri que muitos alunos, inclusive do 3º ano do Ensino Médio, desconhecem o mapa do Brasil, suas regiões, estados e capitais. Por outro lado, esses alunos são experts nas redes sociais.
A utilidade das redes sociais é explícita atualmente, porém não deve ser a única fonte consultada, pois elas apresentam muitas informações, mas você usuário deve aprender a selecionar aquelas que são relevantes e questioná-las, transformando-as em algum conhecimento. Além disso, as fontes de conhecimento mais relevantes continuam sendo, eu penso assim, os livros e jornais. Portanto, jamais trocarei uma hora de boa leitura por uma hora de acesso às “queridas” redes sociais que apresentam muita informação, mas pouquíssimo conhecimento.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

CONSULTA MÉDICA


Quantas vezes você foi examinado pelo médico durante uma consulta médica? Ultimamente a saúde pública no nosso país apresenta-se explicitamente em decrescente situação. Por isso apresento nessa cronicazinha um dos aspectos característicos das consultas médicas atualmente.
Maria e João são casados e têm três filhos. Eles moram em um sítio distante do centro da cidade.
Certa noite, o casal dorme e as crianças também. Porém, o sono deles é interrompido pelo barulho vindo do quarto das crianças. A mãe corre rapidamente e encontra o garoto menor passando mal. Ela pega algumas ervas medicinais e minutos depois o chá já está pronto. O garoto toma o chá.
Ao raiar do dia, quando os pássaros começam sua cantoria anunciando que o dia já chegou. João pega a bicicleta e vai chamar um motorista vizinho para levar o garoto ao hospital.
Chegando ao hospital às seis horas da manhã. Eles devem esperar a enfermeira para preencher a ficha para receituário médico enquanto aguardam impacientemente a chegada do médico e o inicio de suas atividades laborais.
Após preencher o fichário para consultar ao médico, o garoto é pesado numa balança e tem sua temperatura averiguada pelo termômetro posto embaixo do braço esquerdo.
O casal sente-se apreensível ao ver os ponteiros do relógio na parede marcando o passar das horas através do seu tic-tac costumeiro. Sete horas, oito horas e o médico não aparece. Nove horas, o médico chegou. Passa pela sala de recepção quase correndo, assim como o seu “Bom dia” que mal dá tempo os pacientes responderem, pois esse já entrou e levou consigo a enfermeira.
A espera continua, pois o médico foi fazer a visita cotidiana aos enfermos internados nos leitos hospitalares.
As nove e cinquenta, a enfermeira retorna e faz a chamada para os pacientes aproximarem e entrarem à sala próxima ao consultório. Primeiro serão atendidos os bebês, os idosos e urgências/emergências. Depois os demais pacientes terão a oportunidade de consultar ao médico por poucos minutos.
João e Maria entram levando a criança. O médico sem olhá-los diretamente, questiona-os sobre a idade do paciente e as queixas apresentadas. Após ouvir as queixas dos pais, o médico receita alguns medicamentos e menciona que eles devem procurar os remédios na farmácia. Nem sequer dá-se o trabalho de averiguar os sintomas ou solicitar algum exame médico. Afinal, ele ainda terá que atender uns trinta pacientes naquele dia.
Eis a consulta médica, apenas um dos aspectos característicos da saúde pública brasileira.
                                                                                                   19 de Dezembro de 2016
 

CASO SECRETO


Você já viveu um caso amoroso? Qual?
Existem muitos casos amorosos: alguns são efêmeros, outros duradouros, poucos românticos, tantos incolores, certos indesejados, vários proibidos, diversos não planejados, muitos inesperados e principalmente aqueles que acontecem às escondidas: os casos secretos.
Pensando sobre os diferentes tipos de casos amorosos, lembrei-me de um que aconteceu no sítio onde eu morava na época. Quando esse caso tornou-se público, já acontecia há alguns anos. Ei-lo:
Manhã de sábado. Miranda sai de casa escondida. Ela vai até a casa do vizinho para encontra-lo e receber uns trocados.
Ela é uma viúva que tem duas crianças para sustentar com alimentação, vestimentas e outros elementos essenciais à sobrevivência. Porém não possui emprego fixo.
Desde pequena a vida de Miranda sempre foi difícil. Ela e sua mãe trabalhavam do alugado, raspando mandioca nos aviamentos por todas as serras próximas de sua residência.
Seu marido era um homem trabalhador. Vivia no roçado. Dali, ele conseguia o sustento para sua família. Fazia cerca, brocava, arrancava toco, plantava, limpava os matos entre as lavouras, colhia as lavouras, preparava as terras novamente, vaquejava o gado. Porém, um certo dia sentiu-se mal enquanto trabalhava, foi levado ao hospital e após consultar o médico descobriu que sofria de pneumonia por causa dos cigarros que tanto fazia e pitava enquanto estava na labuta. A pneumonia estava muito forte e ele não sobreviveu.
Partiu, mas deixou duas crianças com sua esposa.
Miranda ficou sozinha para cuidar das crianças. Porém, o dinheiro ganho não era suficiente para suas despesas. Por isso, buscava fontes de renda que viesse a ajuda-la nos mantimentos de casa.
Já Alberto é casado, marido de Josefa, vizinho e compadre de Miranda, padrinho da filha menor dela. Conheceu Josefa na mocidade, porém foi apaixonado por Miranda desde a infância quando brincavam juntos de cai no poço e outras brincadeiras. Acostumou-se a viver com sua esposa, mas sempre observou pelas janelas os movimentos da vizinha (seu primeiro amor). Por isso, aos sábados quando sua esposa vai à igreja ou a alguma casa de caridade. Ele recebe a ilustre e rápida visita de Miranda para viver momentos amorosos e tomar um café com biscoito.
17 de Dezembro de 2016

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

PESSOAS SÃO ESTRELAS!!!


Existem pessoas que são como as estrelas
Elas entram na nossa vida
E apossam-se do nosso céu.
Elas decidem ficar brilhando
Iluminando nossos caminhos.
Formam belas constelações
E ficam no espaço de nossa mente
Ou no nosso coração.
Ao chegarem, decidem fixar-se
Mostrando luminosidade.
Enchendo nosso coração de amor
Um amor iluminado
Com raios afetivos e tocantes.
Os raios trazem emoções
As emoções são compostas
De risos e gargalhadas
Os raios muitas vezes nos tocam
E nós ficamos encantados
Olhando as constelações.
Realmente, pessoas são estrelas
E nascem para brilhar.

QUEM AMA JAMAIS ESQUECE


Eu já amei um alguém
Que tinha lindo sorriso
Quando tudo estava bem
Ela disse: não preciso
Seus carinhos receber
Você já pode entender
Meu carinho não merece
Saia já de minha vida
Não me chame de querida
Quem não ama logo esquece

Depois de tempos passados
Ela deseja voltar
Os momentos fragmentados
Ela agora quer juntar
Veio dizer que inda me ama
Que jamais foi leviana
Que de amor ela padece
Eu não vou mais aceitá-la
Mas quero ainda lembrá-la
Quem ama jamais esquece.