sábado, 23 de março de 2019

COLCHÃO DA FALSIDADE


Eu amei um alguém no meu passado
Que tinha no rosto lindo sorriso
Pensei ter encontrado o paraíso
Ao passar muitas noites ao seu lado
Todo meu carinho foi dispensado
Meu peito doeu, senti saudade
Afastou do meu ser felicidade
Senti machucando forte o meu peito
Não pretendo deitar mais no seu leito
Me cansei do colchão da falsidade.

Mote: Poeta Sil Garrote
Glosa: José Roberto


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

CANÇÕES DE AMOR


Na solidão da noite ouço as lindas canções
Que o Rei Roberto Carlos costuma cantar
No meu íntimo sinto muitas Emoções
Detalhes da Carta de Amor, tento lembrar

Além do Horizonte aparecem visões
Uma Mulher Pequena consigo observar
Nasce um Amor Sem Limites nos corações
Outra Vez, eu vejo seus olhos a brilhar

Penso que Eu Não Vou Mais Deixar Você Tão Só
Sinto Ciúme de Você, minha querida
A Mulher Que Eu Amo, minha Amada Amante

Eternamente amá-la-ei, até que ao pó
Meu corpo voltar, abandonando esta vida
E destruir esse Coração de Estudante.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

O PATATIVA ARARIPENSE


Eu recebi incumbência
Para prestar homenagem
Preciso de sapiência
Desenvolver a coragem
Para poder me expressar
Em Seu Ângelo falar
Usando vocabulário
As qualidades são tantas
Que mesmo Fenelon Dantas
Usaria dicionário

Um Homem trabalhador
Ângelo Romão Ribeiro
Na roça, um agricultor
Na arte, grande violeiro
Costuma fazer repente
Envolvente toda gente
Cantando ao som da viola
E quanto chega à tardinha
Sobe logo a chapadinha
Para poder jogar bola

Pai de uma família imensa
Do Pai Jacó eu lembrei
O seu trabalho compensa
Os seus versos admirei
Ao casar-se, é marido
Por sua esposa querido
Morando lá no Carão
Onde fez seu endereço
Os seus filhos que conheço
De bondoso coração

O poeta repentista
Que ao som da viola canta
Lembra-me outro artista
Que na poesia encanta
Faz jus poder comparar
Esse poeta exemplar
Que deixa a gente de pé
Ao lembrar-me um cantador
Poeta e agricultor
Das terras do Assaré

Ângelo é o patativa
Que no Araripe nasceu
E de forma criativa
Seus versos desenvolveu
Que fala sobre o sertão
Os tempos de plantação
Sua vida no roçado
É simples agricultor
Um poeta cantador
Um homem justo e honrado.


sábado, 2 de fevereiro de 2019

ETERNA SAUDADE


Tio Zuza nos deixou
Sentindo eterna saudade
Partiu para eternidade
Sua lembrança ficou
A jornada terminou
Amizades construiu
Na vida ele descobriu
E obteve conhecimento
Sempre fez discernimento
No destino que seguiu

Agora seguiu viagem
A derradeira da vida
Nem sequer fez despedida
Mas guardamos sua imagem
Transmitiu sua mensagem
E viveu humildemente
Já repousa eternamente
Mas aqui plantou amor
Que floresceu e gerou
Frutos da sua semente.

Sítio Tanquinho, 02 de fevereiro de 2019

domingo, 27 de janeiro de 2019

GALOPE À BEIRA DO MAR


Nasci e sou filho do meu sertão
Todo dia acordo logo cedinho
Estou morando no sítio Tanquinho
Acordo ouvindo no rádio a canção
Nos açudes, sapos fazem refrão
No juazeiro, bem-te-vi a cantar
Todo sertanejo pode observar
Limpando a roça para obter fartura
Com a chuvada a safra está segura
Nos dez de galope à beira do mar

Fui criado plantando mandioca
Milho, fava, feijão e algodão
Morando aqui no querido sertão
Eu comia da goma a tapioca
Do milho que mãe fazia pipoca
Nas novenas comia mungunzá
Noutras casas havia o vatapá
Depois que terminava as orações
Hoje guardamos as recordações
Nos dez de galope à beira do mar

Dos namoros de infância estou lembrado
Das cartas que escrevíamos na escola
Das brincadeiras e jogos de bola
Daqueles beijos dentro do mercado
Dos sorrisos, do abraço apertado
Dos lugares onde ia te encontrar
Na biblioteca pra disfarçar
Demorávamos um livro escolher
Pois eu estava ali só pra te ver
Nos dez de galope à beira do mar

Lembrando das leituras que já fiz
“Bisa Bia” e “Histórias pescadas”,
“Macaco malandro”, “Águas passadas”
Outras estórias com final feliz
“Sopa de pedra”, “O réu e o juiz”
Os contos e crônicas pra contar
Os versos de cordel a declamar
São obras de autores reconhecidos
Li e leio pra não ser esquecidos
Nos dez de galope à beira do mar.

Sítio Tanquinho, 27 de janeiro de 2019

sábado, 5 de janeiro de 2019

O MIMIMI DOS HIPÓCRITAS


Nessas redes sociais
Reinando hipocrisia
A guerra no Ceará
Destruindo a alegria
Muita gente “preocupada”
De forma até disfarçada
Pela roupa que vestia

Azul, rosa ou amarela
Se te veste fica bem
Preocupa-te com coisas
Que algo relevante tem
A cor da roupa que veste
Ou palavras que disseste
Não interessa a ninguém

Acho que esse “mimimi”
Porque a ministra falou
Já passou dos seus limites
Pois nada modificou
Se fosse rosa vestir
Ou azul pra encobrir
Não havia outra cor

Deixe de hipocrisia
Procure algo pra fazer
Vai assistir um filme
Ou pegue um livro pra ler
Roupa não é problema
Acho que esse dilema
Foi por perder o poder

Vejo o nosso Ceará
Com paralelo poder
A máfia do tráfico está
Reinando e fazendo ver
Já o mimimi reinando
Muita gente ‘tá falando
Preocupando-se por quê?

Se o homem ou a mulher
Rosa ou azul vai vestir?
Veste-se laranja ou verde
Branco, ou cor que servir
Anil, lilás, violeta
Roxo, cinza ou preta
Ninguém deve intervir

Deixe de hipocrisia
Algo útil vai fazer
Essas ideias idiotas
Só cansa a gente de ver
Tanta coisa interessante
Deixe de ser ignorante
Meu conselho pra você.

Sítio Tanquinho, Araripe, CE
05/01/2019

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

A SANTIDADE DA MORTE


A santidade da morte
encheu de paz teu semblante,
e eu já não podia ver-te
de minha memória diante,
mas no sossego inerte
e glacial daquele instante.
No caixão escasso,
de ceras à luz fátua,
tinha teu rosto ambíguo
quietude augusta de estatua
em um sarcófago antigo.
Quietude como eu não sei o que
de doce e meditativo;
majestade do que eu era;
repouso definitivo
de quem já sabe o porquê.
Placidez, honra, submissa
à lei; e na gentil
boca breve, um sorriso
enigmático, sutil,
iluminando indecisa
a cor da pele de marfim.
A pesar de tanta pena
como desde tanto sinto,
aquela visão me enche
de suave lembrança
e unção..., como quando sonha
o corte de algum convento
numa tarde serena...

Tradução: José Roberto Morais
NERVO, Amado. La santidad de la muerte.
In “Antologia poética”. Ediciones del Sur.
Córdoba. Argentina. Octubre de 2003.