11 de agosto: dia do estudante
Um(a) humilde estudante
Vai à escola todo dia
Seguindo sempre adiante
Estuda com alegria
Aprendendo português,
Matemática e inglês,
História e geografia.
Usando habilidade
Não comete desperdícios
Com a criatividade
Espaço literário para publicação de artigos de opinião, crônicas, poemas e resenhas.
11 de agosto: dia do estudante
Um(a) humilde estudante
Vai à escola todo dia
Seguindo sempre adiante
Estuda com alegria
Aprendendo português,
Matemática e inglês,
História e geografia.
332 milhões
Bloqueados
da educação
Bolsas
de estudo, transporte
Também
alfabetização
É
descaso de um governo
Politiqueiro
em ação.
Retirar
esse dinheiro
Um
gesto de covardia
De
um governo hipócrita
Cheio
de demagogia
Idólatra
de corruptos
Usurpando
todo dia.
“União
e reconstrução”
Esse
slogan mente bem
São
vestígios de um governo
Que
só ilude também
Quem
defendê-lo não mostra
Preocupação
por ninguém.
Um
governo que se preza
Zela
pela educação
Recursos
são destinados
Pra
formar o cidadão
Mas
se é politiqueiro
É
desmando pra nação.
Brasil, 05/08/2023
RESENHA
Recordar é viver. Eis que revivi meu passado ao
ler o livro do meu amigo e escritor santanense, Sandro Cidrão.
O livro “Revivendo o passado – memórias” foi
publicado em 2016 pela editora Control P Soluções Gráficas em Crato – CE. Essa
obra literária composta por crônicas narrativas foi diagramada por Manoel Neto,
com revisão dos escritores Elisabeth Antão e Geraldo Ananias. A idealização e
concepção de capa foi da universitária Ana Elís Cidrão (filha do autor)
enquanto o designer ficou por conta de Janaína T Morais.
A apresentação e o prefácio dessas crônicas
foram escritos, respectivamente, por Elisabeth Antão e Geraldo Ananias. O
escritor santanense dedicou essa obra literária em memória de sua mãe, Maria da
Silva Cidrão.
O texto é composto por recordações dos fatos
vivenciados pelo autor, seguindo uma ordem cronológica. Apresenta textos com
temáticas religiosas como graças alcançadas, primeira comunhão, a renovação dos
santos, Noite de Natal e Papai Noel, as coroações Marianas. Narra também fatos
cotidianos como mudanças de casa, viagem à feira e a capital, desfiles de 07 de
setembro, primeiro dia de aula, aprovação no vestibular, lida na roça, visitas
aos amigos, cantores favoritos... fatos históricos como o nascimento do irmão
caçula, a formatura, a doença da esposa, a amizade com pessoas de outras
cidades... Registra-se também as curiosidades infantis, a valorização dos
pequenos atos. Para abrilhantar ainda mais esse trabalho literário, eis que há
uma canção “Caçador de mim” de Milton Nascimento e o posfácio escrito por Ana
Elís Cidrão. Além disso, cada capítulo inicia-se com uma breve citação de
escritores diversos sobre o assunto abordado pela crônica.
Eis uma leitura interessante para aqueles que viveram fatos semelhantes e podem revivê-los ao ler essas recordações; e para as gerações modernas, possibilitando-lhes conhecer traços culturais que estão sendo esquecidos pela sociedade.
MORAIS, José Roberto. Fantástico Mundo da Leitura. José Roberto Morais.
Pará de Minas, MG: VirtualBooks Editora, Publicação 2022. E-book formato PDF (p.44-45)
CRÔNICA
Os ambientes
bucólicos foram as preferências dos poetas árcades para exaltar a natureza,
cantar os amores entre pastores e musas, enaltecer a vida bucólica. Os poetas arcadistas estavam sempre em
busca pelos valores da Natureza, fazia muitas referências a terra e ao mundo
natural. Costumavam escrever sobre as belezas do campo, a tranquilidade que era
proporcionada pela natureza e contemplavam a vida simples, o encontro com a
natureza que purificam as almas com os ares leves do campo, desprezando a vida
nos grandes centros urbanos. Sempre utilizando uma linguagem simples, sugerindo
que se aproveite o momento.
O sítio
Tanquinho também apresenta seus ambientes bucólicos, um contato com a natureza,
o canto dos pássaros poetas da natureza e os refrãos da orquestra anfíbia que
fez habitat nesse ecossistema sertanejo.
O açude
público do Tanquinho é um desses ambientes bucólicos que inspiram os poetas. A
presença constante de diversas espécies de aves aquáticas que nadam e mergulham
nas águas cristalinas; as árvores que o rodeiam que servem de palcos onde os
seresteiros do sertão cantam e encantam numa diversidade de sons,
assobios...
Entre as
árvores que servem de palco aos seresteiros das florestas, destacam-se os juazeiros
e as juremas, árvores típicas do sertão.
Ao
lado da casa minha
Há
um grande juazeiro
Um
sabiá faz poleiro
Bem-te-vi,
gola, rolinha
Até
mesmo uma andorinha
Tem
cantado seu refrão
É
grande a animação
E
diversos são os temas
Juazeiros
e juremas
Árvores
do meu sertão.
Quando
começa chover
O
galo campina canta
O
seu canto nos encanta
Logo
ao dia amanhecer
A
chuva fará nascer
Nossa
linda plantação
Depois
de longo verão
As
chuvas não são problemas
Juazeiros
e juremas
Árvores
do meu sertão.
O poeta, em
momentos de sublime leveza e naturalidade, verseja sobre esses recursos
naturais que embelezam o contato com a natureza, os ambientes bucólicos.
José Roberto Morais
RESENHA
Uma leitura
fascinante e prazerosa que prende a atenção do leitor do início ao final da
narrativa é presente na obra do americano Edgar Allan Poe.
Edgar Allan
Poe foi um autor, poeta, editor e crítico literário que participou do movimento
romântico americano. Ele é considerado o inventou do gênero ficção de detetive.
Tentou viver escrevendo e isso resultou numa carreira e vida dificultosa.
Poe ingressou
na universidade e estudou francês, espanhol,
italiano, latim e grego. Ele iniciou suas produções literárias com Tamerlane and Other Poems (Tamerlão e outros poemas) em 1827. Sua segunda publicação de poesias
foi Al Aaraaf, Tamerlão e Poesias Menores. Em 1831 publicou Poemas, mas a sua produção fantástica de contos que
o tornou conhecido iniciou em 1833 ao ganhar um prêmio com Manuscrito
Encontrado numa Garrafa. A partir dessa, vieram os contos que se tornaram
conhecidos também no mundo do cinema através de adaptações e produções
recheadas pelos efeitos visuais.
O
livro Histórias Extraordinárias apresenta contos como A Queda da Casa de
Usher e Contos do Grotesco e de Arabesco, Os
Crimes da Rua Morgue, O Escaravelho de Ouro, O Gato Preto, O Poço e o Pendulo,
Eleonora, Berenice, O Mistério de Maria Rogêt, O Coração Delator, Um conto das
Montanhas Escabrosas, O Demônio da Impulsividade, A Máscara da Morte Vermelha,
O Retrato Oval, Willian Wilson e
outros contos.
O
mistério e o terror estão presentes nesses contos sempre narrados por uma
personagem. Essas narrativas em 1ª pessoa prende a atenção do leitor ao colocá-lo
como participante da história numa linguagem macabra e melancólica que aborda
como temas correntes a morte, a loucura e a decomposição dos corpos. Essas
narrativas sempre acontecem em ambientes escuros, com descrições fantásticas de
nuvens negras, quartos abandonados, subsolo com esgoto e ratos etc.
Ao
falecer aos 40 anos, Edgar Poe deixou uma vastíssima obra de poemas e contos em
que o mistério e o terror são características relevantes que levam o leitor a
viagens inimagináveis que vasculham a mente humana destacando o medo, a
maldade, os transtornos mentais e as atitudes inesperadas de almas que habitam
ambientes grotescos e macabros.
MORAIS, José Roberto. Fantástico Mundo da Leitura. José Roberto Morais. Pará de Minas, MG: VirtualBooks Editora, Publicação 2022. E-book formato PDF (p.19-20)
RESENHA
Uma família de retirantes nordestinos, formada
pelo vaqueiro Fabiano, a sinhá Vitória e dois meninos compõem a narrativa
“Vidas Secas” de Graciliano Ramos.
O livro que retrata o sertão castigado pela
seca avassaladora, apresenta uma família que habita em terras nordestinas, que são
transformados em retirantes.
Fabiano é um vaqueiro que perambulando pelo
sertão seco encontra uma fazenda abandonada e decide fixar residência nesse
ambiente. Ao chover, o dono da fazenda chega com o gado e ordena a saída do hóspede,
mas esse oferece seus serviços de vaqueiro para poder ficar morando na casa.
Sinhá Vitória é a esposa do vaqueiro que vive
acompanhando o marido nessa vida venturosa e sofrida. O seu desejo principal é
ter uma cama para descansar à noite, após a lida no campo.
Os meninos não possuem nomes. São identificados
apenas por menino mais velho e menino mais novo. O mais velho é castigado ao
tentar saber o significado de algumas palavras que ouviu. O mais novo gosta de
observar a vida do pai e repetir gestos que ele considera heroicos. Isso leva a
sofrer algumas quedas ao tentar cavalgar um bezerro.
A cachorra Baleia é humanizada na obra.
Apresenta atitudes, reações e até pensamentos. Porém, sofre um final trágico ao
estar doente e sofrer um disparo de espingarda pelo dono, que a vitimiza.
O livro é composto por treze capítulos,
independentes cronologicamente, em que a ausência de diálogos é notória. Afinal,
o vaqueiro Fabiano não se considera gente, mas um bicho. Prevalece ao longo da
narrativa, a descrição de gestos motivados pelo ambiente físico onde estão os
personagens.
Cada capítulo apresenta um conflito ou descreve
um personagem. Resultando em uma narrativa longa formada a partir de narrativas
menores. Essas narrativas são intituladas, respectivamente, assim: mudança - relata
a chegada da família à fazenda onde decidem ficar; Fabiano - é apresentado
destacando suas características; cadeia - relata o episódio em que Fabiano foi
preso na cidade ao envolver-se em jogos; Sinhá Vitória - destaca a dona de casa
com seus desejos; o menino mais novo - narra as aventuras do garoto que admira
o pai; o menino mais velho - destaca as curiosidades do garoto que deseja
conhecer o significado das palavras; inverno - retrata a chegada das chuvas no
sertão que traz alegria e esperança a família do vaqueiro; festa - é uma
narrativa da participação da família na festividade religiosa; Baleia - relata
as atividades realizadas pela cachorra, a caça aos preás e sua morte; contas - apresenta a divergência entre as somas de
sinhá Vitória e do patrão de Fabiano que resulta em discussão; soldado amarelo
- apresenta o reencontro de Fabiano com
o soldado que o prendera na cidade; mundo coberto de penas - mostra a
dificuldade da caça e o início de nova seca; e fuga, - finalmente, narra a
última aventura da família que segue sem destino pela estrada durante a
madrugada, ainda sonhando com dias melhores.
Essa narrativa apresenta o retrato fidedigno do sertão. Um ambiente seco que determina as atitudes dos personagens que vivem suas vidas secas como retirantes nordestinos.
MORAIS, José Roberto. Fantástico Mundo da Leitura. José Roberto Morais. Pará de Minas, MG: VirtualBooks Editora, Publicação 2022. E-book formato PDF(p.42-44)
RESENHA
O amor bucólico foi um dos principais temas
abordado pelos poetas árcades. A preferência pelo campo como lugar ameno para
celebrar o amor, foi a escolha dos poetas que abandonaram a cidade (fugere urbem) para viver os amores do
campo. Os poetas tornaram-se pastores e suas musas, pastoras.
Nesse contexto campestre, onde os pássaros,
ventos, flores, rios impulsionam o amor entre os amantes, surge a mais
representativa obra do arcadismo brasileiro: Marília de Dirceu do poeta Tomás
Antônio Gonzaga. Dirceu era o pseudônimo de Gonzaga que fora noivo de Maria
Doroteia, Marília.
Impossibilitado de viver seu amor com a moça,
por ser quarenta anos mais velho que ela, Gonzaga dedicou-lhe suas liras
amorosas não intituladas, apenas numeradas em algarismos romanos. Essas liras são
caracterizadas pelo amor platônico e bucólico nutrido pelo pastor de ovelhas e
dedicadas a sua amante. O pastor sofre por causa da ausência da amada que não o
acompanha nos passeios no campo.
“Acaso são estes
os sítios formosos
Aonde passava os
anos gostosos?
São estes os
prados aonde brincava,
Enquanto passava o
gordo rebanho...”
A separação do casal forçada pelos pais da moça
impossibilita ambos de viver esse amor, porém o desejo de estar com amada é tão
intenso, que ele questiona se após a morte surgirá a sorte de serem enterrados na
mesma terra.
“Depois de nos
ferir a mão da morte,
Ou seja neste
monte, ou noutra serra,
Nossos corpos
terão, terão a sorte
De consumir os
dois a mesma terra”
A beleza de Marília encanta Dirceu. Ele a
compara com elementos sagrados e naturais.
“Os teus olhos
espalham luz divina,
A quem a luz do
Sol em vão se atreve:
Papoula, ou rosa
delicada, e fina,
Te cobre as faces,
que são cor de neve.
Os teus cabelos
são uns fios d’ouro;
Teu lindo corpo
bálsamos vapora.
Ah! Não, não fez o
Céu, gentil Pastora,
Para glória de
Amor igual tesouro.”
Ao descrever a beleza de sua amada, Dirceu
observa os detalhes angelicais de sua querida Pastora. As metáforas são
utilizadas para enriquecer a linguagem e elevar a beleza que emana do seu ser;
simbolizada pela simplicidade da rosa e jasmim, contrastando com a preciosidade
do rubi e do marfim.
“Na sua face
mimosa,
Marília, estão
misturadas
Purpúreas folhas
de rosa,
Brancas folhas de
jasmim.
Dos rubis mais
preciosos
Os seus beiços são
formados;
Os seus dentes
delicados
São pedaços de
marfim.”
Poder-se-ia citar inúmeras estrofes e comentá-las para o leitor, porém esse não é o objetivo desse texto, pois pretende-se apenas apresentar um amor bucólico cantado pelo pastor Dirceu dedicado à sua amada Marília. Além disso, ressalta-se que essa obra é uma das mais relevantes da literatura nacional.
MORAIS, José Roberto. Fantástico Mundo da Leitura. José Roberto Morais. Pará de Minas, MG: VirtualBooks Editora, Publicação 2022. E-book formato PDF (p.26-28)