segunda-feira, 14 de agosto de 2017

VOU MORAR LÁ NO SERTÃO

O SERTÃO EM VERSOS

Hoje moro na cidade
Muitos barulhos ouvindo
Invade-me uma saudade
Percebo logo sorrindo
Grandes máquinas não param
Nossas vidas se atrapalham
Vai embora a emoção
Eu começo a lamentar
E me sento pra pensar
Vou morar lá no sertão

Na noite de sexta-feira
Deito, dormir não consigo
Pois há uma bebedeira
No endereço de um amigo
O som do carro ligado
Com o volume topado
Aumenta a poluição
Não posso nem estudar
Mas isso vai acabar
Vou morar lá no sertão

Eu quero acordar ouvindo
O canto dos passarinhos
Para ver o sol surgindo
Iluminando os caminhos
Que nos levam ao roçado
Com ferramentas de lado
Pra cuidar da plantação
Plantar milho e mandioca
Para fazer tapioca
Morando lá no sertão

Eu quero observar a chuva
Nossa lavoura molhando
E pegar o guarda-chuva
Para sair caminhando
Sentindo a terra molhada
E subir aquela chapada
Pisando meus pés no chão
Passar o dia na roça
Depois voltar pra palhoça
Morando lá no sertão

Vou pegar a baladeira
Algumas pedras juntar
Ver a vaca lavandeira
No curral para ordenhar
Ao passar lá no baixio
Lá na passagem do rio
Observando a criação
Das cabras e seus cabritos
Há bandos de periquitos
Morando lá no sertão

Lá no sítio me criei
Ao lado dos animais
Com frutas me alimentei
Comi muitos vegetais
E só vim para cidade
Pra estudar na faculdade
Fiz minha graduação
Já sou especialista
Antes de perder a vista
Vou morar lá no sertão

Eu desejo ainda ver
As aves no juazeiro
Cantando ao amanhecer
E durante o dia inteiro
Observar os bem-te-vis
Os nambus, as juritis
Campina, gola, azulão
Linda rosa da catinga
Sanhaçus e jacutinga
Morando lá no sertão

Nas noites de lua cheia
O tatu eu vou caçar
Para fazer minha ceia
Uma cutia matar
Vou observar a beleza
Da nossa mãe natureza
E sua população
Numa rede me deitar
Conversar e namorar
Morando lá no sertão

Vou deixar essa cidade
Aqui eu não sou feliz
Pois minha felicidade
É tudo que eu sempre quis
Casarei com a morena
Numa casinha pequena
Vou fazer habitação
Junto com minha querida
Viveremos nossa vida
Morando lá no sertão.

(Serra Esperança, 26/07/2017)

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

AMORES EM MINHA VIDA, SÃO AVES DE ARRIBAÇÃO

Peço licença ao leitor
Atenção por gentileza
E num gesto de nobreza
Paciência ao pecador
Pois eu vou falar de amor
Sentimento e emoção
Já sinto no coração
Uma esperança perdida
Amores em minha vida
São aves de arribação.

Quando conheci Maria
Eu logo me apaixonei
Nos seus lábios eu beijei
Demonstrei minha alegria
Percebi a simpatia
E não vi a perdição
Foi embora pro sertão
Minha alma ficou ferida
Amores em minha vida
São aves de arribação.

Outras vezes encontrei
Aquela linda morena
Numa noite tão serena
Que belo sonho sonhei
De manhã eu me acordei
Lembrando a situação
E perdi minha razão
Fui buscar a prometida
Amores em minha vida
São aves de arribação.

Outra vez vi a Maria
Numa festa de casamento
Aproveitei o momento
Para fazer cortesia
Estava sem companhia
Quando foi para o salão
Peguei logo em sua mão
Mas ‘tava’ comprometida
Amores em minha vida
São aves de arribação.

Outra jovem que eu amei
Minha querida Bianca
Uma garota tão franca
Que na praça eu encontrei
Muitas vezes a beijei
Declarei minha paixão
Na noite de São João
Ela fez sua partida
Amores em minha vida
São aves de arribação.

Bianca tão linda e bela
O nosso amor começou
O destino separou
Levando pra outra viela
Nunca mais será aquela
Por quem tinha devoção
Deixou-me sem ter razão
Já não é a protegida
Amores em minha vida
São aves de arribação.

Na época que estudava
De muitas garotas gostei
Entre as tantas que beijei
A única que eu amava
Seu sorriso me encantava
Tirou-me da solidão
Escrevi uma canção
Numa folha colorida
Amores em minha vida
São aves de arribação.

Amores tão passageiros
Nessa vida já senti
Somente num descobri
Os aromas verdadeiros
Nossos anjos tão arqueiros
Flecharam sem permissão
Trouxeram desilusão
Partiram sem despedida
Amores em minha vida
São aves de arribação,

Dos amores que vivi
Posso agora recordar
Muita linda era Tainar
Isso logo percebi
Nos seus lábios descobri
O mel que adoça a paixão
Foi minha alimentação
E também minha bebida
Amores em minha vida
São aves de arribação.

Tainar sorria pra mim
Seus lindos olhos brilhavam
Nossos lábios se beijavam
Foi meu anjo querubim
Mas nosso amor teve fim
Ela entrou num avião
Não me deu o seu perdão
Eu perdi sua guarida
Amores em minha vida
São aves de arribação.

Outra jovem namorei
Pérola, seu lindo nome
Não lembro do sobrenome
Porém, nunca esquecerei
As vezes que a encontrei
Pois segurei sua mão
Nos seus braços a lição
Nunca fora interrompida
Amores em minha vida
São aves de arribação.

No intervalo escolar
Fomos à biblioteca
Na noite da discoteca
Começamos namorar
E juntos a conversar
Dediquei-lhe uma canção
Sobre um amor de verão
Feita pra minha querida
Amores em minha vida
São aves de arribação.

Que dizer de Luciana
Uma jovem que amei
Todo amor eu dediquei
Uma garota bacana
Mas foi muito leviana
Um amor de perdição
Procurei a salvação
Por ela tão destruída
Amores em minha vida
São aves de arribação.

Por gostar de outro alguém
Amá-la eu não deveria
Mas o nosso amor crescia
Como uma luz lá no além
Nossos encontros também
Não tinham interrupção
Nas noites de escuridão
Encontrava a pretendida
Amores em minha vida
São aves de arribação.

Das garotas que gostei
Não poderia esquecer
Laura foi meu bem querer
Por ela me apaixonei
E por três anos a amei
Dediquei minha atenção
Procurei a solução
Pra essa paixão ser vivida
Amores em minha vida
São aves de arribação.

Meus amores se parecem
Andorinhas forasteiras
Que nas terras estrangeiras
Encontram o que merecem
Mas de casa não esquecem
Pois as paixões vêm e vão
Voltam para diversão
Na primavera florida
Amores em minha vida
São aves de arribação.


MORAIS, José Roberto. Amores em minha vida são aves de arribação. Literatura de Cordel. Editora Confraria. Araripe CE. Agosto de 2017. 8 p.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

AMIZADE

A desgraça nos mostra aqueles
que são realmente nossos amigos”.
Aristóteles









Aquele que te estende à mão
Quando tu estás frente à barreira
Que diz confie, palavra verdadeira
Sempre sorri, trazendo emoção

Aquele que olha no teu coração
E diz: Tu conseguirás desta maneira
Limpa dos teus olhos forte poeira
Sempre te oferece proteção

Aquele que te faz rir e pular
Mostra-te o caminho para seguir
Sempre levando no peito lembrança

Aquele que te diz: Tenha esperança
Siga esta jornada sem desistir
É teu amigo. Podes acreditar.

terça-feira, 18 de julho de 2017

O CONTADOR DE HISTÓRIAS

Quem costuma assistir à TV Record nas tardes de domingo sabe de quem vou falar neste texto. Porém, aqueles que costumam assistir a “Globesteira” e seus programas em que apenas famosos tem “vez e voz e bis”, não tiveram ainda a oportunidade de conhecer O Contador de Histórias com H. Pois, ele conta histórias do povo simples, sem fama, nem burguesia. Povo este, que compõem a maioria das famílias desse país continental.
Esse contador de Histórias reais (nada de minisséries, telenovelas, reality shows, dança e show de famosos, como o “the voice brasil”, assim minúsculo, que copia o programa de Raul Gil e outros) começou trabalhando em uma rádio no estado de São Paulo e hoje é um dos principais apresentadores da televisão brasileira. Apresentou o programa jornalístico “Balanço Geral” e hoje apresenta um programa semanal aos domingos, o “Domingo Show” que vai ao ar, ao vivo, entre às 11h00 e 15h30.
O programa Domingo Show apresenta aos telespectadores reportagens que mostram humildade e solidariedade, ao apresentar agricultores, jardineiros, pedreiros, vendedores de picolé, moradores de rua, moto táxi, motoristas, vaqueiros, narradores de rodeio etc. Os telespectadores conhecem histórias de irmãos separados, parentes afastados, pessoas simples que são artistas (cantam, dançam, pintam, escrevem, tocam instrumentos musicais, desejam conhecer ídolos, dominam o raciocínio lógico-matemático, desenvolvem habilidades linguísticas, superam obstáculos cotidianamente etc).
O contador de Histórias tornou-se tão assistido que agora tem outro programa, dedicado especialmente para apresentar aos telespectadores, suas principais histórias, tais como “A Menor Mulher do Brasil, A Vendedora de Picolé Fã do Sérgio Reis, O Garoto Que Conhece As Bandeiras de Todos Países, O Garoto Calculadora (que tem um raciocínio lógico-matemático impressionante) e outros.
O programa ao qual me refiro, assisti numa noite de segunda-feira (10/07/2017), é chamado “Geraldo Brasil” e nessa noite narrou a história dA Vendedora de Picolé Fã do Sérgio Reis, que deixou seu cabelo crescer ao fazer promessa pela recuperação do cantor que sofreu derrame cerebral e queda de palco.
O Contador de Histórias também conta histórias de amores passados como o casal que se reencontrou e casou-se após 40 anos separados (nos quais cada um construiu uma família), jovens e crianças pobres que sonham com um futuro brilhante, como o garoto bailarino que dança para ajudar sua avó e que ganhou bolsa de estudo para praticar balé no exterior.
Portanto, sempre que tenho disponibilidade, gasto um pouco de tempo aos domingos, assistindo às Histórias do Nosso Povo através do Contador de Histórias: Geraldo Luís.

(DES) RESPEITO AO CADEIRANTE? ONDE? QUANDO?


A Legislação Brasileira assegura direitos aos cidadãos (direitos ao deslocamento, educação, saúde, segurança, alimentação, moradia, lazer etc), independente de raça, sexo, idade... Porém, esses direitos são violados frequentemente, diariamente, momentaneamente. Entre as diversas violações aos direitos cidadãos no Brasil, um fato aconteceu recentemente em Campos Sales, cidade do interior cearense.
Quando saia da instituição onde trabalho, percebi que o acesso à praça para cadeirantes fora interrompida por um transporte de luxo que estava estacionado inadequadamente em frente ao espaço adaptado.
Esse fato trouxe-me reflexão. Então, peguei o meu celular e utilizei-o para registrá-lo através de uma fotografia. Depois, já em minha residência comecei a refletir sobre a vida de um/a cadeirante (minha irmã – in memorian – fora cadeirante durante os três últimos anos de vida – 2012 a 2015).
O cadeirante é impossibilitado frequentemente de frequentar diferentes ambientes por falta de acesso adequado. Em postos de saúde, hospitais, restaurantes, mercados, lojas, bancos e outros ambientes, ainda deixam muito a desejar quando falamos sobre cadeirantes. Até mesmo, o deslocamento torna-se difícil, pois raramente encontramos uma cadeira de rodas motorizada, então nas cadeiras de rodas simples, as pessoas necessitam utilizar força para moverem-se. Então, quando encontramos alguém que desrespeita as mínimas demonstrações de respeito aos cadeirantes, como estacionar carro nos espaços de acesso aos locais públicos ou privados, tais como praça, restaurante, escola ou mesmo ocupar a vaga no estacionamento, percebemos o quanto a ausência de educação, respeito, moral e ética estão liquidados na nossa sociedade.

ANJO QUERUBIM

Quem diria que você
De mim estava gostando
Não posso mais esquecer
Seus lindos olhos brilhando
Ainda sinto seu perfume
No meu ser bate ciúme
Revê-la é o que quero
Para tê-la aqui comigo
Ser seu amante e amigo
Outra noite que eu espero
                       
Quando olhei nos olhos seus
E você sorriu pra mim
Percebi ali nos breus
O meu anjo querubim
Que veio pra me salvar
Da tristeza me tirar
Renovar minha alegria
Pois algum tempo sozinho
Eu já não tinha carinho
E nem amor eu sentia.

NOITE LINDA

Era noite eu me lembro
Me chamou para dançar
Nesse momento relembro
Começou a me abraçar
Estava tão escurinho
Demonstrando seu carinho
Seu corpo no meu colava
De repente fui beijado
Esse beijo inesperado
Confesso não esperava

Quando seus lábios senti
Me envolvi naquele beijo
No momento descobri
Aumentou o meu desejo
Continuamos abraçados
Os nossos corpos colados
Tudo aquilo que eu queria
Linda noite, que surpresa
Espantou minha tristeza
Me trouxe muita alegria.