terça-feira, 16 de janeiro de 2018

AMOR DE VERÃO

O meu amor por Maria
Me trouxe muita emoção
Ela esbanjou simpatia
Conquistou meu coração
A lembrança que preciso
Não esqueço seu sorriso
O seu beijo lembrarei
Como chuva de verão
Foi forte nossa paixão
Nesse rio mergulhei

Um amor tão passageiro
Só uma noite durou
O cupido tão arqueiro
O meu peito ele flechou
Mas sem haver despedida
Ela fez sua partida
E foi para outra cidade
Jogou apenas um beijo
Aumentando meu desejo
Deixando muita saudade.


(09 de janeiro de 2018)

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

ALIMENTANDO O CERÉBRO


O período de recesso festivo, que integra o feriado natalino em 25 de dezembro e a confraternização universal em primeiro de janeiro, compreende momentos de reencontros e diversão para a maioria das pessoas.
Distante dos afazeres laborais, os profissionais e servidores públicos buscam formas e atividades diversificadas para preencher o ócio. Alguns vão ao cinema; outros costumam divertir-se com churrascos e bebidas; poucos frequentam cantorias; muitos festejam a queima de fogos etc.
Diante das diversas atividades sugeridas, uma envolve-me e gasto longas horas em dedicação ao meu favorite hobby – a leitura. Aproveitei esse período de feriado festivo para reler obras de grandes escritores da literatura brasileira. O Ateneu de Raul Pompeia levou-me a adentrar um colégio interno do final do império e início da república. Revivi os acontecimentos de crise e miséria moral, o mundo de opressão e hipocrisia retratados pelo narrador Sérgio que sentiu-se incapaz de ajustar-se àquele ambiente. Machado de Assis em sua obra romântica, Helena, relatou um caso de amor que envolve o leitor com um enredo inspirado no Romantismo, com personagens e tramas simples, carregados de sentimentalismo. Além desses, os contos Fins d’água de Genuíno Sales apresentaram ambientes sertanejos com tramas e enredos simples que relatam histórias da zona rural – a presença de ciganos na fazenda, os amores inocentes e furtivos, os banhos de açudes, os remédios caseiros etc.
A poesia também está presente entre as diversas leituras realizadas, por isso os folhetos de cordel de Dalinha Catunda, Anilda Figueiredo, Hugo Rodrigues, Ernane Tavares, José Joel, Deusimar Rodrigues, Acácio Silva, Vavá Freire, Chicó Fernandes, Di França, José Roberto e outros cordelistas entreteram o período de recesso festivo.
Meu hobby favorito é a leitura, pois compreendo que a mesma é tão relevante para mente quanto o exercício para o corpo.

ALEGRIAS E TRISTEZAS NO FERIADO NATALÍCIO


O feriado natalício tem caráter religioso e é comemorado pela cristandade celebrando o nascimento de Jesus de Nazaré. Digo cristandade, porque os verdadeiros cristãos não comemoram o natal. Visto que antigamente não se comemorava nascimento de alguém. Além disso, os fatores históricos e naturais possibilita a compreensão de que Jesus de Nazaré não nasceu no mês de dezembro.
Nesse período de feriado festivo são vividos momentos de imensa alegria. O reencontro entre familiares e a famosa ceia de natal são os principais caracteres desses acontecimentos. Parentes que estiveram ausentes costumam retornar ao seio familiar para festejar com amigos, primos, irmãos, filhos, pais, avós... A ceia natalina geralmente tem carne e bebida. O peru, geralmente, é a ave preferida para compor a ceia juntamente com o vinho. Acompanhados de uma boa conversa e narração de estórias e histórias, o churrasco também enriquece a mesa das famílias. Os votos de felicidades são acompanhados com apertos de mãos e abraços incomuns no cotidiano das pessoas.
Por outro lado, esses eventos natalinos são marcados pelos acidentes e assassinatos que entristecem as pessoas. Pois, muitas delas ingerem bebidas alcoólicas e ao dirigirem seus veículos causam acidentes enquanto outras envolvem-se em discussões, relacionamentos “proibidos” e acabam brigando e/ou assassinando alguém.
Portanto, os momentos alegres prevalecem nesse período de feriado. Os reencontros familiares são marcados pelos momentos festivos de alegria e diversão. Mas acidentes e assassinatos costumam interromper esses momentos para mostrar que a tristeza também une amigos e familiares no período natalino.
Sítio Tanquinho, Araripe, 28 de dezembro de 2017

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

FANTÁSTICO MUNDO DA LEITURA

            Desde pequeno aprendi a viajar pelo mundo da leitura. Percebi que os textos oferecem mundos diversos para apreciarmos. 

            Viajei pelo país da gramática com Emília, Pedrinho e o rinoceronte. Conheci a Távola Redonda e seus cavaleiros, entre eles, o rei Artur e o cavaleiro Lancelote. Penetrei as matas brasileiras e conheci Peri, Iracema, Cauê, Poti, Jaci e outros índios. Montei na mula sem cabeças e persegui o curupira. Pesquei com o Jeca Tatu e depois fui ao engenho de Seu Lula, embora estivesse com o fogo morto. Em passagem por Portugal, ouvi a mensagem de Pessoa e descobri o crime do padre Amaro e o adultério de Luísa com o primo Basílio; passei pelas cidades e serras com Eça de Queiroz e cheguei aos Maias. Ao conversar com Castelo Branco, falamos sobre os amores de perdição e salvação. Encontrei Eurico, o presbítero com Alexandre Herculano procurando Hermengarda que havia enlouquecido de amor. Garret me contou algumas aventuras vividas nas viagens à minha terra. Em passagem pela Inglaterra, presenciei o amor de Romeu e Julieta entre guerras que culminou numa tragédia; conheci Oliver Twist no asilo da mendicidade e fomos a Londres viver aventuras com os “gatunos” e conhecer uma sociedade marginalizada. Retornei à América e maravilhei-me com as narrativas de mistérios e terror de Edgar Allan Poe; já na América do Sul, vivi cem anos de solidão até encontrar o carteiro e o poeta, mas emocionei com cem sonetos de amor e as memórias de minhas putas tristes. Cheguei ao Brasil pelo Rio Grande do Sul e encontrei o negrinho pastoreando os cavalos montado no Baio observando os lírios do campo e seguindo as trilhas do grande sertão veredas; depois encantei-me com os arquipélagos de Veríssimo, mas decidi conhecer os sertões na Bahia e encontrei os capitães de areia na tenda dos milagres. Andei pelas terras dos meninos pelados e encontrei o menino do dedo verde. Conheci o galo que logrou a raposa e o pato que bateu no marreco. Abri alas para o peru; depois ouvi as relíquias da casa velha comendo as deliciosas guloseimas da Tia Nastácia com Visconde de Sabugosa em passagem pelo sítio do pica-pau amarelo. Voltei ao Ceará e festejei o nascimento de Moacir, filho de Iracema; admirei as aventuras do sertanejo Arnaldo e a beleza de Flor na fazenda; mas fui convidado por Alencar para visitar a viuvinha no Rio de Janeiro onde conheci a Senhora Amélia que me dedicou apenas cinco minutos do seu precioso tempo, mas falou-me do amor entre Lúcia e Paulo em Lucíola... Conversei com Esaú e Jacó e me fascinei pela beleza de Capitu que fora casada com Bentinho, vizinho de Brás Cubas e sua amante Marcela. Voei com José Lins e pousei na Paraíba. Fui ao engenho de seu avô e conheci o menino de engenho, doidinho e o moleque Ricardo. Ainda nas terras paraibanas conheci João Grilo, gargalhei com as mentiras de Chicó e temi ao ver o major Antônio Morais. Em passagem por Alagoas, observei as vidas secas do vaqueiro Fabiano, a Sinhá Vitória, a cachorra Baleia e os meninos. Graciliano Ramos ainda relatou-me suas memórias do cárcere. Cheguei em Pernambuco e ouvi as liras dos cinquentas anos de Bandeira; percebi que a maioria dos pernambucanos tem vida e morte Severina e ouvem os galos cantando e tecendo uma manhã. Em Exu, escutei histórias dos reis do cangaço e do baião na voz do poeta Falcão. Ao chegar nas terras caririenses, conheci fatos históricos, religiosos e políticos que envolveram o padre Cícero Romão em milagre em Joaseiro, revivi o passado e conheci a história de Benigna com Sandro Cidrão. No Araripe, vivi um grande amor, pintei as estórias de amor em amarelo ouro, vermelho carmim e lilás. Fui ao Riacho Grande e conheci sua história, depois busquei um refúgio para escrever 50 sonetos. Encontrei o filho da terra seca que tornou-se discípulo da inspiração, concluindo a vida e o verso. Passei em Campos Sales e percebi que um bom educador santifica seu espirito. Fui ao Salitre e conheci sua história comendo farinha numa cuia grande, além de apaixonar-me com o soneto de identidade e outros poemas. 

            Depois de muito viajar, cheguei ao reino de Savalha e renunciei um amor. Ouvi as Crônicas de Nárnia, conheci os segredos da mente milionária e descobri que não tenho fé o suficiente para ser ateu. Por isso, ao acordar fiz as leituras diárias e ouvi o chamado de Jesus, pois descobri que Ele é a única esperança ao conhecer Bianca Toledo e descobrir a prova viva de um milagre.

José Roberto          

terça-feira, 28 de novembro de 2017

LEMBRANÇA DE NATAL

Alguém disse que “recordar um amor é vivê-lo outra vez”, portanto hoje estou recordando e vivendo um amor que tornou-se uma lembrança de natal.
Após viver um amor incolor que durou um ano e alguns meses, mas terminou quando a abençoada deu-me duas opções: casar-me-ia com ela ou ela viajaria para São Paulo. Eu, sem pensar duas vezes, escolhi a segunda opção e dias depois ela estava entrando no bus na rodoviária da cidade rumo à capital paulista.
Passaram-se alguns meses. No mês de dezembro daquele ano, recebi uma mensagem de uma garota que conheci na escola sete anos antes. Começamos trocar mensagens diariamente até que percebi-me apaixonado por ela. Então, comecei imaginar como faria para conquistá-la. Ela já estava enlaçada e convidou-me para visitá-la. Desculpei-me, alegando que sua casa era distante, que meu tempo era muito corrido... Mas continuamos conversando através de mensagens e ela mencionou que iria lá em cada. Não acreditei, mas...
Na tarde do feriado natalício quando muitas pessoas param para pensar em Jesus (eu converso com Ele todos os dias), pois comemoram o dia do Seu nascimento (discordo que Jesus nasceu nessa data, já que não há registro bíblico, nem histórico), recebíamos alguns amigos na nossa humilde residência quando chegou duas pessoas em uma motocicleta. Reconheci a garota e notei que a outra seria sua mãe pelas feições familiares.
Começamos conversar. Ela apresentou-me a sua mãe que pareceu feliz em conhecer-me. Antes de ir embora, combinamos que eu iria na sua casa no domingo seguinte.
A semana passou rápido, pois o feriado foi na terça-feira. No domingo 30, quando a tarde começou, peguei a moto e fui visitá-la, conforme combinado. Começamos namorar e nosso namoro durou quase oito meses.
Hoje, o feriado natalino se aproxima, e eu estou relembrando nossos momentos compartilhados, percebo o quanto aquela tarde natalina foi marcante em minha vida, tornando-se uma lembrança de natal.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

MESTRA INESQUECÍVEL


A Rosângela Rodrigues

A saudade é a maior prova de que o passado foi valioso, pois a ela nos faz recordar das pessoas que passaram pela nossa breve existência no planeta. Pessoas de diferentes lugares, gostos, crenças, profissões tornam nossas lembranças vivas e presentes, possibilitando reviver o passado através dos momentos registrados na memória.
Ao longo dos anos, conheci muitas pessoas que se tornaram inesquecíveis e presentes nos arquivos de minha memória. Entre essas pessoas, há uma que se destacou pela influência exercida em minha história.
Ela entrou na minha história enquanto cursava o ensino fundamental. Lembro-me que a conheci no primeiro dia letivo na turma da 8ª série. Naquela tarde, após as primeiras aulas e o intervalo, ela entrou na sala de aula, semblante sério, afirmou que ministraria aulas de língua portuguesa.
Cativou minha atenção ao interpretarmos o poema “O Bicho” de... Esqueci o nome do poeta, mas nunca esquecerei a aula. Na aula seguinte, a letra da música “Há Tempos” da Legião Urbana foi interpretada e debatida em sala.
A partir daquelas aulas iniciais, minha paixão pela poesia fora fortalecida e comecei a escrever meus primeiros poemas sobre Lampião, Patativa do Assaré, Padre Cícero Romão, as fadas, a água, reciclagem e outros.
Poemas e músicas continuaram sendo interpretados durante as aulas de português e aquela professora tornou-se uma das favoritas na minha história escolar. Na feirinha cultural da escola, ela fora a orientadora da turma que nos possibilitou a produção de trabalhos proveitosos em aprendizagem e conhecimento. Participou efetivamente na motivação dos alunos e desenvolveu um trabalho relevante durante o ano letivo. Porém, a maior surpresa que recebi da nossa mestra inesquecível veio no último dia de aula daquele ano.
Eu estava na sala de aula durante o intervalo quando uma garota chegou procurando-me e pediu-me para acompanhá-la até outra sala onde a inesquecível professora me aguardava com alguns livros - português, física e matemática - do ensino médio que foram destinados a mim. Recebi-os, agradeci e sai contentíssimo pelo reconhecimento do meu esforço. Esses livros foram essenciais aos estudos enquanto cursava o ensino médio. Anos depois, reencontrei a professora e ganhei uma coleção de livros de língua portuguesa.
Pelos presentes recebidos e o conhecimento que me fora transmitido em suas aulas, essa professora tornou-se a Mestra Inesquecível.



Serra Esperança, 19 de novembro de 2017

terça-feira, 7 de novembro de 2017

VOTO FACULTATIVO: A MELHOR ESCOLHA PARA OS CIDADÃOS BRASILEIROS


Os cidadãos não deveriam ser exigidos pela lei para votar porque o voto facultativo é a melhor escolha para eles. O voto deve constituir um instrumento para que a coletividade manifeste a sua vontade política, sintetizando o modo como os representantes eleitos pelo povo devem pautar sua atuação enquanto gestores públicos. Votar deveria expressar a vontade de ser representado por candidato que se julga capaz de honrar o mérito conferido a ele. Porém, o voto é obrigatório desde o Código Eleitoral de 1932, a fim de garantir a presença dos eleitores nas eleições.
A obrigatoriedade do voto permite que os cidadãos tenham mais contato com a política e também aumenta o volume de participação nas eleições. Mas esse grande número não significa que todos têm consciência do que estão fazendo. Muitos dizem que votam porque são obrigados, sem pensar na luta necessária para que todos os brasileiros pudessem votar secretamente. O governo é necessário, portanto, seus representantes devem ser escolhidos de forma justa e consciente. Além disso, a democracia obrigatória não parece muito justa. Quanto mais eleitores desinteressados votam, maior as chances de termos candidatos corruptos eleitos, corruptos porque compram votos daqueles que não foram ensinados a valorizar suas escolhas.
Por outro lado, o voto facultativo pode ser caminho para que o governo crie medidas para incentivar a verdadeira participação do povo nas eleições. Sua implantação acrescentará um ganho qualitativo no processo de escolha, uma vez que reduzirá o número de variáveis que influenciam na definição do candidato que receberá o voto, pois só participarão da eleição os cidadãos dotados de consciência política e o mínimo de senso crítico. O voto facultativo é direito, não dever; adotado pela maioria dos países desenvolvidos de tradição democrática; ele garante a participação de eleitores conscientes e motivados.
Os países mais desenvolvidos do mundo, tanto no campo político como econômico, que praticam a democracia representativa, adotam o voto facultativo. Nos oito países mais industrializados e desenvolvidos economicamente do planeta, grupo denominado G8, considerados nações democráticas, com exceção da Itália, o cidadão tem a liberdade de comparecer ou não às urnas.
Acrescenta-se que o voto é sempre facultativo nas grandes democracias do mundo, enquanto que o voto é obrigatório em apenas 30 países, estando metade na América Latina. Exemplificando, no continente americano 20 países adotam o voto facultativo e 13 adotam o voto obrigatório. Canadá e EUA, os países mais ricos da região, adotam o voto facultativo. Na América Central, a maioria dos países optou pelo voto facultativo enquanto o voto obrigatório predomina nos países Sul americanos. Além disso, os países que adotam o voto obrigatório, exceto a Costa Rica, têm sua história associada a intervenções militares, golpes de estado e autoritarismo político.
Conclui-se que não é possível conciliar a obrigação de votar com a noção de liberdade, dentro de um Estado Democrático de Direito. Portanto, o voto facultativo insere o cidadão no campo da plena e livre escolha, tornando o sufrágio mais combatível com os ideais democráticos. No Brasil, determinaria uma mudança na postura e na atuação dos partidos políticos, pois somente irá votar aquele eleitor que estiver motivado e convencido de que seu ato terá um significado prático, tornando-se a melhor escolha para os cidadãos brasileiros.