segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

O PATATIVA ARARIPENSE


Eu recebi incumbência
Para prestar homenagem
Preciso de sapiência
Desenvolver a coragem
Para poder me expressar
Em Seu Ângelo falar
Usando vocabulário
As qualidades são tantas
Que mesmo Fenelon Dantas
Usaria dicionário

Um Homem trabalhador
Ângelo Romão Ribeiro
Na roça, um agricultor
Na arte, grande violeiro
Costuma fazer repente
Envolvente toda gente
Cantando ao som da viola
E quanto chega à tardinha
Sobe logo a chapadinha
Para poder jogar bola

Pai de uma família imensa
Do Pai Jacó eu lembrei
O seu trabalho compensa
Os seus versos admirei
Ao casar-se, é marido
Por sua esposa querido
Morando lá no Carão
Onde fez seu endereço
Os seus filhos que conheço
De bondoso coração

O poeta repentista
Que ao som da viola canta
Lembra-me outro artista
Que na poesia encanta
Faz jus poder comparar
Esse poeta exemplar
Que deixa a gente de pé
Ao lembrar-me um cantador
Poeta e agricultor
Das terras do Assaré

Ângelo é o patativa
Que no Araripe nasceu
E de forma criativa
Seus versos desenvolveu
Que fala sobre o sertão
Os tempos de plantação
Sua vida no roçado
É simples agricultor
Um poeta cantador
Um homem justo e honrado.


sábado, 2 de fevereiro de 2019

ETERNA SAUDADE


Tio Zuza nos deixou
Sentindo eterna saudade
Partiu para eternidade
Sua lembrança ficou
A jornada terminou
Amizades construiu
Na vida ele descobriu
E obteve conhecimento
Sempre fez discernimento
No destino que seguiu

Agora seguiu viagem
A derradeira da vida
Nem sequer fez despedida
Mas guardamos sua imagem
Transmitiu sua mensagem
E viveu humildemente
Já repousa eternamente
Mas aqui plantou amor
Que floresceu e gerou
Frutos da sua semente.

Sítio Tanquinho, 02 de fevereiro de 2019

domingo, 27 de janeiro de 2019

GALOPE À BEIRA DO MAR


Nasci e sou filho do meu sertão
Todo dia acordo logo cedinho
Estou morando no sítio Tanquinho
Acordo ouvindo no rádio a canção
Nos açudes, sapos fazem refrão
No juazeiro, bem-te-vi a cantar
Todo sertanejo pode observar
Limpando a roça para obter fartura
Com a chuvada a safra está segura
Nos dez de galope à beira do mar

Fui criado plantando mandioca
Milho, fava, feijão e algodão
Morando aqui no querido sertão
Eu comia da goma a tapioca
Do milho que mãe fazia pipoca
Nas novenas comia mungunzá
Noutras casas havia o vatapá
Depois que terminava as orações
Hoje guardamos as recordações
Nos dez de galope à beira do mar

Dos namoros de infância estou lembrado
Das cartas que escrevíamos na escola
Das brincadeiras e jogos de bola
Daqueles beijos dentro do mercado
Dos sorrisos, do abraço apertado
Dos lugares onde ia te encontrar
Na biblioteca pra disfarçar
Demorávamos um livro escolher
Pois eu estava ali só pra te ver
Nos dez de galope à beira do mar

Lembrando das leituras que já fiz
“Bisa Bia” e “Histórias pescadas”,
“Macaco malandro”, “Águas passadas”
Outras estórias com final feliz
“Sopa de pedra”, “O réu e o juiz”
Os contos e crônicas pra contar
Os versos de cordel a declamar
São obras de autores reconhecidos
Li e leio pra não ser esquecidos
Nos dez de galope à beira do mar.

Sítio Tanquinho, 27 de janeiro de 2019

sábado, 5 de janeiro de 2019

O MIMIMI DOS HIPÓCRITAS


Nessas redes sociais
Reinando hipocrisia
A guerra no Ceará
Destruindo a alegria
Muita gente “preocupada”
De forma até disfarçada
Pela roupa que vestia

Azul, rosa ou amarela
Se te veste fica bem
Preocupa-te com coisas
Que algo relevante tem
A cor da roupa que veste
Ou palavras que disseste
Não interessa a ninguém

Acho que esse “mimimi”
Porque a ministra falou
Já passou dos seus limites
Pois nada modificou
Se fosse rosa vestir
Ou azul pra encobrir
Não havia outra cor

Deixe de hipocrisia
Procure algo pra fazer
Vai assistir um filme
Ou pegue um livro pra ler
Roupa não é problema
Acho que esse dilema
Foi por perder o poder

Vejo o nosso Ceará
Com paralelo poder
A máfia do tráfico está
Reinando e fazendo ver
Já o mimimi reinando
Muita gente ‘tá falando
Preocupando-se por quê?

Se o homem ou a mulher
Rosa ou azul vai vestir?
Veste-se laranja ou verde
Branco, ou cor que servir
Anil, lilás, violeta
Roxo, cinza ou preta
Ninguém deve intervir

Deixe de hipocrisia
Algo útil vai fazer
Essas ideias idiotas
Só cansa a gente de ver
Tanta coisa interessante
Deixe de ser ignorante
Meu conselho pra você.

Sítio Tanquinho, Araripe, CE
05/01/2019

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

A SANTIDADE DA MORTE


A santidade da morte
encheu de paz teu semblante,
e eu já não podia ver-te
de minha memória diante,
mas no sossego inerte
e glacial daquele instante.
No caixão escasso,
de ceras à luz fátua,
tinha teu rosto ambíguo
quietude augusta de estatua
em um sarcófago antigo.
Quietude como eu não sei o que
de doce e meditativo;
majestade do que eu era;
repouso definitivo
de quem já sabe o porquê.
Placidez, honra, submissa
à lei; e na gentil
boca breve, um sorriso
enigmático, sutil,
iluminando indecisa
a cor da pele de marfim.
A pesar de tanta pena
como desde tanto sinto,
aquela visão me enche
de suave lembrança
e unção..., como quando sonha
o corte de algum convento
numa tarde serena...

Tradução: José Roberto Morais
NERVO, Amado. La santidad de la muerte.
In “Antologia poética”. Ediciones del Sur.
Córdoba. Argentina. Octubre de 2003.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

O QUE MAIS ME DÁ?

Com ela, tudo; sem ela, nada!
Para que viagens, céus, paisagens,
Que importam os sóis ao dia!
O que mais me dá
A cidade louca, o mar encaracolado,
O vale plácido, o pico congelado,
Se meu amor já não está comigo!
O que mais me dá...
Veneza, Roma, Viena, Paris:
Belas sem dúvida; porém copiadas
Em suas celestes pupilas cinzentas,
Em seus divinos olhos largos!
Veneza, Roma, Viena, Paris,
O que mais me dá
Vossa balumba feminina e vaidosa,
Se meu braço não for minha Ana,
Se meu amor já não está comigo!
O que mais me dá...
Um cantinho que em qualquer parte me empresta abrigo;
uma seção de refúgio amigo onde pensar,
um livro austero que me conforte;
uma esperança que seja norte do meu penar,
e um pacífico morrer sereno,
quanto mais cedo mais doce e bom:
que coisa melhor posso anseiar! 
 
Traduzido por José Roberto Morais
NERVO, Amado. Qué más me da? In "Antologia poética". 
Ediciones del Sur. Córdoba. Argentina. Octubre de 2003.



segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

E NÃO APRENDEMOS A DIZER ADEUS


A canção “Não aprendi dizer adeus” da dupla sertaneja Leandro e Leonardo foi um grande sucesso na década de 90 do século passado (XX). Essa música, composição de Joel Marques, foi gravada, em 1991, no disco Leandro e Leonardo.
 Em 2013, ano em que Leonardo (Emival Eterno da Costa) completou 50 anos, foi publicado o livro “Não aprendi dizer adeus” pela editora Casa da Palavra no Rio de Janeiro. Esse livro é uma superprodução biográfica, revisado segundo o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, dedicado ao seu irmão Leandro (Luís José da Costa, 1961-1998) com quem formou uma dupla sertaneja e cantou durante muitos anos de carreira, tornando-se uma das melhores duplas sertanejas, juntando-se a Chitãozinho e Xororó, Zezé de Camargo e Luciano, João Paulo e Daniel, Cristian e Ralph, que foram seus contemporâneos.
O livro supracitado apresenta, após a dedicação ao Leandro, os agradecimentos aos seus pais, Sr. Avelino e D. Carmen; ao saudoso irmão Leandro; ao tio Zé (in memoriam); a esposa Poliana Rocha; aos filhos; a neta Maria Sophia; aos profissionais envolvidos no projeto e ao escritório Talismã Music. Nos capítulos, há um relato sobre as dificuldades enfrentadas na infância rural; o início da carreira musical; o auge do sucesso; a angústia marcada pela morte de Leandro, ocasionando o fim da dupla, em 1998. Além desses fatos, relata também o acidente do seu filho Pedro Leonardo e o processo para recuperação do mesmo.
Os capítulos são intitulados na seguinte sequência: o sono não chegou; talvez você se lembre; é por você que canto; rumo a Goiânia; maravilhas do mundo; a vida tem dessas coisas; resto de vida; desculpe, mas eu vou chorar; você ainda vai voltar; para nunca dizer adeus e o posfácio “Uma história sem fim” de Silvio Essinger. 
O uso de uma linguagem informal predomina durante todo o texto, acompanhada de um registro de imagens dos momentos mais marcantes dessa história. Essas imagens registram desde os momentos da infância rural, as participações em programas de televisão, momentos em família, funeral de Leandro aos momentos com Pedro já recuperado após acidente. 
Além disso, ao longo do texto são apresentados trechos daquelas músicas que se tornaram os maiores sucessos da dupla sertaneja formada pelos irmãos Luís e Emival ou simplesmente Leandro e Leonardo. Esse livro é uma leitura interessante para aqueles que gostam da música sertaneja e não aprenderam dizer adeus.